Investigado pelo STF e pressionado pelo Centrão, Pazuello pede pra deixar o governo

Fora da agenda do presidente, Bolsonaro se reuniu com ministros da ala militar do governo neste sábado


  Domingo, 14 de março de 2021  

O presidente Jair Bolsonaro vai trocar nos próximos dias o comando do Ministério da Saúde, hoje a cargo do general Eduardo Pazuello, segundo fontes do Planalto. 

A pressão pela saída do ministro da Saúde, aumentou nos últimos dias. Investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e na mira de parlamentares do Centrão que buscam emplacar um nome na pasta, o general tem tido sua continuidade no governo ameaçada em meio aos recordes sucessivos de mortes por covid-19 no País. No total, o Brasil tem 277.216 de mortos, segundo dados deste sábado, 13.

No sábado à noite, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com ministros da ala militar do governo no Hotel de Trânsito de Oficiais do Exército, onde mora Pazuello. Além de ministro da Saúde, participaram da conversa os ministros Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, Braga Netto, da Casa Civil, e Fernando Azevedo, da Defesa. Todos são generais do Exército da reserva, à exceção de Pazuello, que permanece no serviço ativo.

A reunião ocorreu de última hora e não constava na agenda do presidente e dos ministros. Eles deixaram o local sem dar declarações à imprensa. Apesar de os ministros palacianos garantirem nos bastidores que o presidente apoia a permanência de Pazuello, aumenta a cada dia a pressão política pela troca. Ele é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal pela crise no sistema de saúde e tem sido cada vez mais contestado no Congresso. Partidos como o Progressistas, aliado com o Centrão a Bolsonaro, cobiçam emplacar um nome na pasta.

O pedido de afastamento coincide com o auge da pressão de deputados do Centrão, que pleiteiam mudança no comando da pasta sob pretexto de má gestão durante a pandemia, mas que no fundo, o que querem é mais um grande orçamento ao comando do agrupamento de siglas. 

Pessoas próximas ao presidente já entraram em contato com dois médicos cardiologistas cotados para substituir Pazuello: Ludhmilla Abrahão Haijar e Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. O primeiro nome, como divulgou o blog de Andreia Sadi, é o preferido do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e de deputados do Centrão.

Além de criticarem a gestão de Pazuello, principalmente por conta do atraso no cronograma de vacinação, deputados do Centrão disseram em caráter reservado ao GLOBO que, com a volta de Lula ao cenário eleitoral, o bloco, hoje na base de Bolsonaro, ganha mais força para pleitear espaço na administração pública.

Sem citar especificamente o Ministério da Saúde, esses parlamentares lembraram que o grupo integrou o governo do petista e, em 2022, servirá como fiel da balança na composição de forças políticas entre o atual presidente e o ex.

A alegação de problemas de saúde é anunciada por fontes palacianas, porém, isso será usado apenas para minimizar o prejuízo do governo, que perdeu o controle da governança.


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