Ligações de Lula com Xandão, Gilmar e Dino assustou eleitores que decidiram impedir o pior.
Ações truculentas comandadas por ministros do STF assustaram eleitores moderados, e deve levá-los ao impeachment
Segunda-feira, 05 de outubro de 2026
O consórcio formado entre parte do Supremo Tribunal Federal e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva é o maior derrotado neste primeiro turno das eleições de 2026. Interferências do STF na sociedade, antes em nome de “salvar a democracia”, passaram a ser vistas como ameaça ao Estado de Direito.
Ações truculentas comandadas por ministros como Gilmar Mendes e Flávio Dino assustaram eleitores moderados, que passaram a vê-los como ameaça. “Olha, se Lula for eleito, serão mais quatro Dinos no Planalto”, foi um argumento que circulou nos grupos de WhatsApp das famílias, do trabalho, dos amigos. O eleitor resolveu votar em candidatos, sobretudo no Senado, que se comprometeram a dar o troco no Judiciário.
Houve uma confluência de fatores. O Supremo pegou carona na baixa popularidade de Lula e o presidente acabou por se afundar na crise do banqueiro Daniel Vorcaro. Mesmo quando o ministro Alexandre de Moraes, o Xandão ardia por causa da crise, o governo não largou sua mão.
Ao contrário, quando as primeiras revelações contra o magistrado surgiram nas brumas do contrato de R$ 130 milhões com o banqueiro, a militância petista partiu agressivamente contra os jornalistas que revelavam os fatos. Em setembro, o Supremo governista dobrou a aposta e agiu para poupar o colega em apuros.
Em um governo impopular e sem criatividade, a escolha de Flávio Bolsonaro foi vista como ótima notícia para o Palácio do Planalto. Em tese, seria impossível perder para um candidato sem expressividade, sem carisma e contra o qual pesavam uma série de denúncias como “rachadinhas” de gabinete, enriquecimento ilícito e, mais tarde, ligações com o próprio Vorcaro.
Subestimou-se o antipetismo (a maior força política brasileira); houve falha de leitura dos danos da crise do STF. Houve muita soberba em parte da cúpula do Judiciário, o que inclui penas consideradas excessivas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (pela tentativa de golpe de Estado) e contra os criminosos que depredaram a sede dos Três Poderes.
Se aplicasse a mesma régua da “Débora do Batom”, Moraes deveria ter auto condenado à cadeia. Agora, Alexandre tem um encontro marcado com um processo de impeachment e pode não ser o único.
No final das contas, quem se beneficiou de tantos equívocos foi o Partido Liberal, que representa o antissistema. Flávio, mesmo com tantos passivos, se consagra provisoriamente. Levado, sem dúvida, pelo sobrenome Bolsonaro, o que hoje parece ser uma espécie de habeas corpus popular.
Lula tem pela frente uma missão quase impossível. Virar os votos no segundo turno, algo que nunca ocorreu desde a redemocratização. Parece já ter consumido todos os cartuchos. Para muitos, o maior político brasileiro de todos os tempos, no máximo em competição com Getúlio Vargas, Lula pode perder para um candidato inexpressivo.
Seria um vexame monumental. Não é preciso ser um adivinho para prever um tiroteio sangrento no segundo turno. O primeiro passo deveria ser o PT se afastar da ala governista do STF. Terão coragem? E, por último, mas não menos importante, caso vença, terá um Congresso hostil.
Estadão

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