Governo Lula esconde registros de acessos de amiga de Lulinha ao Alvorada

GSI negou pedido feito pela Lei de Acesso à Informação e alegou riscos à segurança do presidente, familiares e autoridades

 Segunda-feira, 28 de setembro de 2026 

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou acesso aos registros de entrada e saída da lobista Roberta Luchsinger no Palácio da Alvorada entre janeiro de 2023 e setembro de 2026. O pedido foi feito com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), mas o órgão alegou que a divulgação poderia representar riscos à segurança do presidente, de familiares e de outras autoridades.

A decisão ocorre enquanto Roberta aparece em investigações da Polícia Federal que também envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A lobista é investigada por suspeitas relacionadas a tráfico de influência e corrupção, e mensagens atribuídas a ela foram incorporadas às apurações. As suspeitas, no entanto, ainda estão sob investigação e não representam comprovação de crime. 

Segundo a resposta do GSI, a divulgação dos registros de visitantes poderia colocar em risco a segurança de instituições, autoridades nacionais ou estrangeiras e seus familiares. O órgão também citou a proteção da intimidade e da vida privada das autoridades para justificar a negativa. O governo não informou por quanto tempo os registros permanecerão protegidos.

Mensagens e acessos

O caso ganhou repercussão após mensagens atribuídas a Roberta indicarem que ela dizia ter acesso a espaços ligados ao presidente. Em outubro de 2023, por exemplo, a lobista afirmou a um interlocutor que estava na “casa do pai do Fábio”, referência que investigadores associam ao presidente Lula.

A agenda oficial de Lula naquele dia não registrava compromisso no Palácio da Alvorada. O conteúdo das mensagens faz parte das investigações da PF e está sendo analisado no contexto das relações atribuídas à lobista.

Em outra apuração publicada pela Revista Oeste, registros obtidos anteriormente por meio da LAI confirmaram que Roberta esteve no Palácio do Planalto em 22 de março de 2023. Na ocasião, mensagens também indicavam que ela dizia ter utilizado um voo da Força Aérea Brasileira para viajar a Brasília.

Lula afirmou, em agosto deste ano, que não conhecia Roberta e chegou a classificá-la como “pilantra”. Depois da declaração, fotografias dos dois juntos em diferentes ocasiões passaram a circular novamente. A campanha do presidente afirmou que os registros não demonstrariam relação pessoal ou profissional entre os dois. AcompanharPolíticas Públicas

Investigações da Polícia Federal

Roberta Luchsinger aparece em apurações da PF relacionadas a suspeitas de tráfico de influência e também em investigações que envolvem Lulinha. Segundo informações divulgadas pela imprensa, os investigadores analisam possíveis relações entre a lobista, o filho do presidente e pessoas que atuavam no entorno do governo federal.

A PF também investiga mensagens e movimentações financeiras relacionadas à atuação de Roberta. Em um dos episódios citados nas apurações, ela teria recebido R$ 1,26 milhão do diretor de uma empresa que mantinha tratativas com a Petrobras. O contrato posteriormente foi anulado, segundo a Gazeta do Povo.

Sigilo já havia sido adotado

A decisão atual não é a primeira vez que o governo Lula restringe informações sobre visitantes do Palácio da Alvorada. Em 2023, o GSI já havia classificado como reservados os registros de acesso à residência oficial da Presidência, alegando necessidade de preservar a segurança do presidente e de seus familiares.

A legislação brasileira permite diferentes graus de classificação de informações públicas, que podem chegar a 25 anos no caso de informações ultrassecretas. No caso dos registros solicitados agora, porém, o GSI não informou qual será o prazo de proteção dos dados.


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