Europa paga até 40% mais pela carne bovina de Mato Grosso que a China

Mercados europeus oferecem maior valor agregado ao produto mato-grossense, enquanto China segue líder em volume de compras

 Quarta-feira, 05 de agosto de 2026 

A China continua sendo o principal destino da carne bovina produzida em Mato Grosso, mas são os mercados europeus que garantem a melhor remuneração ao produto exportado pelo Estado. 

Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que, no primeiro semestre de 2026, a União Europeia pagou, em média, US$ 6.390 por tonelada, enquanto os demais países europeus desembolsaram US$ 6.667 por tonelada. 

Os valores representam um prêmio de até 40% sobre o preço médio pago pela China, de US$ 4.745 por tonelada.

Os números mostram que, embora o mercado chinês continue absorvendo a maior parte da produção mato-grossense, a estratégia de ampliar as vendas para destinos que valorizam produtos de maior qualidade tem aumentado a rentabilidade das exportações.

No primeiro semestre deste ano, a China respondeu por 55,2% dos embarques de carne bovina de Mato Grosso. Em contrapartida, os países europeus, mesmo comprando volumes menores, pagaram significativamente mais pelo produto devido às exigências relacionadas à qualidade, rastreabilidade e regularidade no fornecimento.

Valor agregado - O diferencial também aparece no Índice de Atratividade das Exportações, elaborado pelo Imea.

O indicador compara quanto cada mercado remunera a carne bovina em relação ao valor da arroba do boi gordo em Mato Grosso e mede o retorno econômico proporcionado por cada destino comercial.

Nesse ranking, a União Europeia lidera com índice de 108,49, seguida pelos demais países da Europa, com 98,59.

A China aparece com índice de 74,37, atrás inclusive do Oriente Médio (76,58) e da América do Norte (75,47).

Segundo o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, os números demonstram que a pecuária mato-grossense conseguiu conquistar mercados mais exigentes sem perder competitividade.

"A China continuará sendo um parceiro estratégico pela capacidade de absorção de grandes volumes, mas o avanço da carne mato-grossense em mercados como a União Europeia demonstra que nossos produtores também estão preparados para atender consumidores que valorizam qualidade, rastreabilidade e regularidade no fornecimento. Isso aumenta a competitividade da cadeia e agrega valor à produção", afirma.

Diversificação reduz riscos - Na avaliação do Imac, ampliar a presença em mercados de maior valor agregado também reduz a dependência de poucos compradores.

Segundo Bruno Andrade, essa estratégia fortalece toda a cadeia produtiva ao estimular investimentos em tecnologia, genética, sustentabilidade e eficiência.

"Diversificar mercados significa aumentar a segurança comercial da pecuária mato-grossense. Quanto maior a participação em destinos que pagam mais pelo produto, maior é o estímulo para investimentos em tecnologia, genética, eficiência produtiva e programas de conformidade socioambiental", destaca.

Estratégia para o futuro - Especialistas avaliam que manter o mercado chinês como principal comprador e, ao mesmo tempo, ampliar as exportações para países que remuneram melhor a carne bovina poderá elevar a rentabilidade da pecuária estadual nos próximos anos.

A conquista de mercados premium também reforça a imagem da carne produzida em Mato Grosso, que passa a competir não apenas pelo volume ofertado, mas também pela qualidade e pelos padrões sanitários e ambientais exigidos pelos principais importadores mundiais.


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