BRADESCO FECHA 324 AGÊNCIAS E CORTA 2,4 MIL POSTOS
Banco reduz estrutura física e quadro de funcionários enquanto amplia lucro, carteira de crédito e número de clientes
Sábado, 22 de agosto de 2026
O avanço dos serviços bancários digitais está acelerando uma mudança na estrutura dos grandes bancos brasileiros. No Bradesco, o movimento ganhou força nos últimos 12 meses: entre junho de 2025 e junho de 2026, a instituição fechou 324 agências e eliminou 2.448 postos de trabalho, ao mesmo tempo em que registrou forte crescimento nos resultados financeiros.
O banco encerrou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões, alta de 16,2% em relação aos primeiros seis meses de 2025. O resultado representa o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro e colocou o Bradesco entre os grandes bancos privados com maior avanço de rentabilidade no período.
A redução da estrutura não ficou restrita às agências. Em 12 meses, foram encerrados também 811 postos de atendimento, enquanto o banco abriu 16 unidades de negócios. No fim de junho, a organização tinha 79.699 funcionários, dos quais 67.954 eram bancários.
A estratégia ocorre em paralelo ao crescimento da própria base de clientes. O Bradesco chegou a 110,4 milhões de clientes, cerca de 300 mil a mais do que um ano antes. Ou seja, a instituição passou a atender uma quantidade maior de pessoas com uma estrutura física menor.
No segundo trimestre, o banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões, crescimento de 16,2% sobre o mesmo período de 2025 e de 3,5% na comparação com os três primeiros meses deste ano.
A carteira de crédito expandida atingiu R$ 1,137 trilhão, avanço de 11,6% em 12 meses, enquanto o ROAE, indicador de rentabilidade, chegou a 16,2%.
DIGITALIZAÇÃO MUDA O PAPEL DAS AGÊNCIAS
A redução da presença física acompanha uma transformação no comportamento dos consumidores. O Bradesco afirma que vem adaptando seu modelo de atendimento à utilização crescente de aplicativos, internet banking e outros canais digitais.
A própria instituição mantém uma estratégia de transformação tecnológica baseada em soluções de nuvem, integração por APIs, dados e desenvolvimento de jornadas digitais para os clientes.
O movimento, porém, não é exclusivo do Bradesco. Dados divulgados nesta quinta-feira mostram que 83% das transações bancárias no Brasil já são realizadas por canais digitais, enquanto agências e caixas eletrônicos representam apenas 6% das operações. Em 2021, essa participação física era de 13%.
A mudança traz ganhos de eficiência para as instituições, mas também levanta discussões sobre emprego e atendimento presencial.
O fechamento de unidades pode reduzir custos e concentrar investimentos em tecnologia, mas aumenta a dependência dos canais digitais, especialmente para clientes que ainda necessitam de atendimento humano para operações mais complexas.
No caso do Bradesco, os números mostram uma estratégia clara: uma operação com menos agências e funcionários, mas com mais clientes, maior carteira de crédito e rentabilidade em recuperação.
A própria instituição informa que vem ajustando algumas unidades, com integração de agências próximas e mudanças no espaço físico, mantendo aos clientes o acesso aos serviços por aplicativo e internet banking.
A tendência acompanha uma transformação mais ampla no setor financeiro brasileiro, em que bancos tradicionais passam a direcionar cada vez mais recursos para tecnologia e canais digitais enquanto reduzem a dependência da rede física.

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