Barbudo lamenta neutralidade do Podemos e diz que seguirá com Flávio
Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
O deputado federal Nelson Barbudo (Podemos) lamentou a decisão de seu partido de manter neutralidade na disputa pela Presidência da República e fez uma dura crítica à falta de unidade entre lideranças e partidos de direita.
Bolsonarista declarado, o parlamentar afirmou que gostaria que o Podemos tivesse fechado apoio irrestrito à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e garantiu que, independentemente da posição oficial da sigla, estará no palanque do senador.
Em entrevista ao PodOlhar, videocast do Olhar Direto, Barbudo afirmou que a dificuldade de construção de consensos é um dos principais problemas da direita e contrapôs o cenário às alianças formadas pelos partidos de esquerda.
“A direita tem uma grande dificuldade. Não adianta, vamos ser honestos: a direita muitas vezes atrapalha a própria direita. A esquerda é unida”, declarou.
Para o deputado, o campo político que representa ainda está aprendendo a construir uma atuação conjunta após ter ganhado força nacional com a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018. Na avaliação dele, divergências públicas entre lideranças acabam sendo exploradas pelos adversários.
Barbudo citou, inclusive, um episódio envolvendo Michelle Bolsonaro como exemplo de ruído interno. Sem detalhar o conteúdo do vídeo ao qual se referia, classificou a repercussão como um “tsunami” para o grupo político e disse não saber se o episódio ocorreu por “inexperiência política”.
“Com o advento do Bolsonaro, que acordou a direita, a direita está engatinhando e, de vez em quando, cai num degrauzinho da casa, dá um tropeção porque, quando engatinha, não sabe andar”, comparou.
O deputado transportou a crítica para Mato Grosso e apontou as divergências entre integrantes do próprio campo conservador como demonstração dessa dificuldade de articulação. Barbudo mencionou conflitos dentro do PL após a composição com o MDB e as diferentes posições adotadas por prefeitos eleitos pela legenda em relação ao projeto estadual do partido. “Olha o tiroteio que virou”, resumiu.
Entre os exemplos, citou os prefeitos Abilio Brunini, de Cuiabá; Sérgio Machnic, de Primavera do Leste; Cláudio Ferreira, de Rondonópolis; e Flávia Moretti, de Várzea Grande, ao comentar as resistências dentro do partido à candidatura de Wellington Fagundes ao Governo.
Apesar de deixar claro que não estava fazendo uma defesa eleitoral do senador, Barbudo questionou a dificuldade do PL em construir uma convergência em torno de Wellington.
“Por que o Wellington é um leproso para não apoiar o Wellington? Não é. Eu não estou defendendo o Wellington aqui, não. Vou ser bem claro. O Wellington votou com o Bolsonaro os quatro anos, o Wellington votou contra o Lula esses três anos e meio. Ah, mas que leproso é esse? Não é leproso”, afirmou.
Na avaliação do parlamentar, o partido poderia ter condicionado o apoio à apresentação de um programa alinhado à direita, em vez de aprofundar as divisões internas.
Barbudo também citou a composição do PL com a deputada estadual Janaina Riva (MDB), candidata ao Senado na chapa de Wellington, para afirmar que o cenário acabou ainda mais fragmentado.
“Cada um foi para um lado, virou esse rolo. Agora o PL puxou a Janaina, que eu também não tenho nada contra, acabou de esbagaçar, virou um rolo. Essa é a tristeza que eu tenho da nossa direita, que vai demorar para a gente aprender a fazer”, declarou.
Com: Olhar Direto

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