Lula já sabia das sanções dos EUA por trabalho forçado e ao invés de resolver, usa no discurso eleitoral
Quinta-feira, 04 de junho de 2026
O governo brasileiro já havia sido informado sobre a possibilidade de novas sanções relacionadas à investigação sobre trabalho forçado, anunciadas nesta quarta-feira pelos Estados Unidos. Um dia depois da recomendação de um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, dessa vez a taxação é de 12,5%.
A orientação no Palácio do Planalto é para que ministros e auxiliares mantenham o discurso de defesa da soberania ao rebater as acusações apontadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês).
A sanção comercial dessa vez atinge países que, na visão dos americanos, não combatem o trabalho forçado de forma eficaz, gerando condições de concorrência desvantajosa a produtos dos EUA.
O governo de Donald Trump está propondo tarifas de 10% a 12,5% sobre importações da maioria de seus principais parceiros comerciais após uma investigação sobre produtos supostamente fabricados com trabalho forçado.
As investigações foram iniciadas em março pelo USTR nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, assim como as apurações sobre as tarifas.
Além do Brasil, outros 59 países são alvos nessa investigação. Entre eles, Argentina, União Europeia, China, Reino Unido e Japão. Os EUA alegam que essas nações supostamente usariam trabalho forçado na produção de itens vendidos ao exterior ou que importam esses produtos.
A iniciativa foi anunciada depois de o governo Donald Trump ter sido derrotado na Suprema Corte, que considerou ilegais as tarifas globais que os EUA vinham aplicando nos seus parceiros comerciais desde abril de 2025.
A avaliação de integrantes do governo brasileiro é que a administração americana tem recorrido às investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio para reconstruir, sobre uma base jurídica considerada mais sólida, parte das barreiras comerciais que haviam sido derrubadas pela Justiça dos Estados Unidos.
A estratégia permitiria manter a pressão tarifária sobre países parceiros por meio de instrumentos com menor risco de contestação judicial.
Na terça-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu a investigação comercial contra o Brasil e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com exceções previstas em uma lista específica de produtos. Conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a medida abre uma nova etapa de consulta pública antes de eventual adoção de sanções comerciais.
O presidente Lula responsabilizou a família Bolsonaro, particularmente o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e os acusou de conspirar contra o país. O senador disse ter pedido a Trump que não taxasse empresas brasileiras, no que mais uma vez não foi atendido.

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