Líder do Lula no senado foi bancado com Apartamento, shows, voos em jatinho e dinheiro pra família, segundo PF
Na casa do petista em Brasília, foram apreendidos US$ 49 mil em espécie, o equivalente a R$ 253 mil reais.
Quinta-feira, 18 de junho de 2026
A Polícia Federal diz que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi "beneficiário central" de "vantagens econômicas indevidas" sob apuração da nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada hoje.
Segundo as investigações, os benefícios pagos pelo extinto Banco Master envolveram um apartamento de R$ 2,5 milhões, voos em jatinho, um show internacional de R$ 63 mil e R$ 3,5 milhões destinados a uma empresa ligada à família do senador.
O que aconteceu
PF apura se Wagner recebeu as "vantagens indevidas" para atuar em favor do Master. O senador foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos hoje por agentes da Polícia Federal. Na casa dele em Brasília, foram apreendidos US$ 49 mil em espécie, o equivalente a R$ 253 mil
Investigadores dizem que elo de Wagner com o Master é o empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do extinto banco. Para a PF, a proximidade entre os dois teria criado "ambiente propício" para ações em prol da "defesa de interesses privados" da instituição. Lima também é um dos alvos da operação de hoje.
PF apura, por exemplo, se Wagner tentou beneficiar a chamada "Emenda Master". De autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI), a proposta aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e favoreceria o banco de Vorcaro e Lima
Apartamento
Uma das suspeitas investigadas é referente a um imóvel de R$ 2,5 milhões de Lima repassado a Wagner. A PF encontrou mensagens em que os dois discutem a possível compra do apartamento, que fica em Salvador.
Em novembro de 2024, Wagner mandou o contato da construtora responsável pelo empreendimento Poéme Horto. "A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi", dizia a mensagem. No dia seguinte, novamente, Wagner manda um folder sobre o condomínio
Segundo a PF, no mesmo dia, Lima liga para uma pessoa e manda os dados do corretor, do empreendimento e o valor. Meses depois, Wagner volta a falar com Lima e reencaminha uma mensagem em que alguém pede dados do apartamento.
No dia seguinte, Lima manda o contato de um homem chamado David Monteiro ao senador. "Tais elementos conferem plausibilidade à hipótese de que o imóvel se encontrava formalmente vinculado a terceiro, em estrutura de dissimulação da titularidade real", diz trecho da decisão d o ministro André Mendonça, do STF, que autorizou busca contra o senador.
David Monteiro é irmão do advogado Daniel Monteiro, apontado como operador e arquiteto jurídico de Daniel Vorcaro.
O repasse do imóvel teria sido operacionalizado por David.
Ingressos para show
Lima pagou para Wagner ingressos no valor de R$ 63,3 mil para show de cantora internacional nos EUA, em 2023. Segundo a PF, mensagens encontradas no celular do empresário o mostram orientando a uma secretária que adquirisse os bilhetes em "favor de familiares de Wagner".
Em outro momento, o senador questiona sobre os "ingressos de sábado" e pede ampliação do número de entradas para cinco pessoas. "Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs", respondeu Lima a Wagner, segundo a PF.
Ingressos teriam sido pagos pela Reag. A gestora de investimentos, liquidada pelo Banco Central, é suspeita de lavar dinheiro para o PCC.
Uso de jatinhos
PF também aponta o "uso gratuito" por Wagner de aeronaves ligadas a Lima. Em um desses voos, ocorrido em outubro de 2023, o empresário coloca um helicóptero à disposição do petista para que ele viajasse com a família de Salvador à "Ilha da Paixão", em Candeias (Região Metropolitana de Salvador), que seria de propriedade de Lima, segundo as investigações.
Em abril de 2024, o senador pede ao empresário o contato do piloto para um deslocamento ao Rio de Janeiro. Augusto, então, encaminhou ao parlamentar o contato de 'Breno Copiloto Banco'. Em seguida, repassou ao piloto o número do senador.
Repasse milionário para empresa ligada à família
Lima transferiu R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada à família de Wagner. O pagamento foi feito pela PKL One Participações S.A, firma vinculada ao empresário, para BN Financeira LTDA., que tem como uma das proprietárias Bonnie Bonilha, nora do senador
Repasse veio após cobranças do enteado de Wagner. Segundo a PF, Eduardo Mendonça Sodré Martins enviou ao empresário, em setembro de 2025, uma mensagem em que dizia: "Amanhã vence os boletos e são altos". No mês seguinte, o repasse para a BN Financeira ocorreu. Martins, que é atualmente secretário de Meio Ambiente da Bahia, também foi alvo da operação de hoje.
PF apura repasses para a BN Financeira foram "vantagem indevida". A suspeita é de que a empresa foi usada para ocultar a real origem do dinheiro, que seria supostamente destinado a pagar Wagner e seu entorno por uma atuação do senador em favor do Master.
"A Polícia Federal sustenta que a empresa teria sido utilizada para conferir aparência de licitude a repasses financeiros supostamente desvinculados de prestação real de serviços, funcionando como veículo formal de recepção e dissimulação de vantagens indevidas", diz a decisão de Mendonça. O ministro determinou a suspensão das atividades econômicas e financeiras da BN.
Como começou relação entre Wagner e Lima
Lima se aproximou do PT da Bahia e de Jaques Wagner a partir de 2017. Na época secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, na gestão de Rui Costa (PT), Wagner foi responsável por conduzir a privatização da Ebal, estatal responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo
Após alguns leilões vazios fracassados, Lima sugeriu aumentar o escopo da venda para os cartões de compra da rede. Eles passaram a incluir serviços financeiros como empréstimos consignados, dando origem ao chamado Credcesta. A Ebal, então, foi vendida para uma empresa por R$ 15 milhões e depois repassada para Augusto Lima.
Em entrevista a uma rádio baiana, Jaques chegou a dizer que não temia uma delação de Vorcaro. Ele confirmou ter negociado com Augusto Lima a venda da rede de supermercados estatais Cesta do Povo. A negociação, disse, foi antes de Lima se tornar sócio de Vorcaro no Master

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