Dinheiro público custeou hospedagem de artistas apoiadores de Lula em residência oficial em Roma
O governo havia resistido ao fornecimento das informações solicitadas via LAI, alegando que o pedido seria desproporcional.
Quinta-feira, 11 de junho de 2026
O Ministério das Relações Exteriores utilizou recursos públicos para custear a hospedagem de artistas que declararam apoio à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022 na residência oficial do Brasil em Roma, na Itália.
As informações vieram à tona após a divulgação de documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Os registros mostram que o imóvel diplomático foi utilizado por cantores, escritores e autoridades durante o atual governo.
Entre os nomes que aparecem na relação estão a cantora Fafá de Belém, a cantora Mônica Salmaso, o escritor Marcelo Rubens Paiva e a escritora Aline Bei. Segundo os documentos, as estadias ocorreram dentro de atividades vinculadas ao Programa de Diplomacia Cultural, iniciativa do Itamaraty voltada à promoção da cultura brasileira no exterior.
De acordo com os registros, Fafá de Belém utilizou a estrutura da residência oficial em maio de 2024 durante uma série de apresentações na Itália e em San Marino. O Ministério das Relações Exteriores também destinou recursos para a realização dos espetáculos. Já Mônica Salmaso ficou hospedada no local acompanhada por integrantes de sua equipe durante apresentações realizadas no mesmo período.
A divulgação das informações ocorreu após a Controladoria-Geral da União (CGU) determinar a liberação dos dados. Inicialmente, o Itamaraty havia resistido ao fornecimento das informações solicitadas via LAI, alegando que o pedido seria desproporcional. A decisão foi revertida após análise de recurso administrativo.
Os documentos também apontam que a residência oficial recebeu diversas autoridades brasileiras ao longo do atual mandato. Entre os hóspedes estiveram a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, a ex-presidente Dilma Rousseff, ministros e integrantes do governo federal.
Segundo o Itamaraty, a utilização do imóvel está prevista para apoiar atividades institucionais, culturais e ações de promoção da imagem do Brasil no exterior. A pasta sustenta que a residência oficial pode ser utilizada em eventos que contribuam para fortalecer relações diplomáticas, culturais e econômicas entre o Brasil e outros países.

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