Correios têm prejuízo de R$ 3,1 bilhões no início de 2026, e amplia perdas

No fim do ano passado, a empresa fez um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional. Agora, tenta novo empréstimo de R$ 7 bilhões. 


 Terça-feira, 02 de junho de 2026 

Os Correios registraram prejuízo de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo demonstrações financeiras aprovadas pelo Conselho de Administração da empresa. O resultado significa que a estatal gastou mais do que arrecadou nos três primeiros meses do ano.

O rombo é significativamente maior do que o registrado no mesmo período de 2025, quando a empresa teve perdas de R$ 1,7 bilhão. Na prática, o prejuízo quase dobrou em um ano.

Os números mostram que os Correios continuam enfrentando dificuldades para equilibrar as contas. A receita obtida com a venda de serviços caiu de R$ 3,94 bilhões para R$ 3,85 bilhões, enquanto despesas administrativas e financeiras cresceram de forma expressiva. As despesas gerais e administrativas passaram de R$ 1,2 bilhão para R$ 2,2 bilhões, e os gastos financeiros saltaram de R$ 282 milhões para R$ 985 milhões.

No relatório, a empresa afirma que enfrenta uma combinação de fatores que pressiona os resultados. Entre eles estão a redução da demanda por serviços postais tradicionais, o aumento dos custos operacionais, reajustes salariais, crescimento de despesas judiciais e a concorrência cada vez maior no mercado de encomendas e logística.

“Nos últimos exercícios, a empresa vem enfrentando pressões relevantes sobre sua geração de caixa e seus resultados, decorrentes, principalmente, da redução das receitas em serviços postais tradicionais, do aumento dos custos operacionais influenciados por inflação, reajustes salariais e passivos judiciais, bem como da intensificação da concorrência em segmentos logísticos de maior rentabilidade. 

Soma-se a esses fatores a necessidade de manutenção de estrutura operacional com elevada capilaridade, em decorrência da obrigação legal de prestação do serviço postal universal”, diz a estatal.

Diante desse cenário, a estatal informou que está executando um plano de reestruturação iniciado no fim de 2025. O programa prevê corte de despesas, revisão de contratos, venda de imóveis sem uso, modernização tecnológica, melhorias na logística e busca por novas fontes de receita. A empresa também colocou em prática um Programa de Desligamento Voluntário (PDV).

Outro indicador que chama atenção é o patrimônio líquido negativo da companhia, que passou de R$ 13,1 bilhões negativos em dezembro de 2025 para R$ 16,2 bilhões negativos ao final de março deste ano.

Para tentar driblar a crise, a empresa passa por um processo de reestruturação. Porém, uma das principais apostas da estratégia de recuperação econômica, o plano de demissão voluntária, terminou com a adesão de cerca de 3 mil funcionários, segundo balanço parcial da estatal.

O número representa apenas 30% da meta de desligar 10 mil trabalhadores do quadro para economizar R$ 1,4 bilhão em despesas com pessoal a partir do próximo ano. O PDV teve duração de cerca de dois meses.

Os Correios encerraram o ano de 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Em 2024, o resultado havia ficado negativo em R$ 2,6 bilhões. A estatal acumula 14 trimestres consecutivos de rombo nas contas, sequência iniciada no quarto trimestre de 2022.

No fim do ano passado, os Correios conseguiram fechar um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional. O valor foi depositado quase integralmente no dia 30 de dezembro. Agora, a companhia tenta uma nova operação, de R$ 7 bilhões. 

O Tribunal de Contas da União, porém, apontou problemas nesse empréstimo. O ministro Benjamin Zymler, afirmou que a atuação do Tesouro na análise da concessão de garantia soberana "fere de morte" a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A corte determinou aprimoramento da análise e, em outro processo, decidiu pelo monitoramento do plano de reestruturação da companhia.


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