Morre a caminhoneira mais velha do Brasil (Veja história e vídeo)
Nahyra Schwanke, que faleceu com 96 anos de idade, dirigiu até a idade de 90 anos.
Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Após uma vida atrás do volante, e alguns anos de aposentadoria, a conhecida caminhoneira Nahyra Schwanke, de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, faleceu aos 96 anos de idade.
Ela se destacou em centenas de reportagens para revistas, sites e até TV, como sendo uma das mulheres pioneiras no setor de transporte, sempre trabalhando com caminhões por rotas por todo o país.
A Rainha das Estradas do Brasil nasceu em 04 de dezembro de 1929, e com apenas doze anos de idade já começou a ter gosto pelo volante. Depois do nascimento da primeira e única filha, Salete, na década de 1950, Nahyra se separou do marido e comprou seu primeiro caminhão, atuando por mais de 60 anos no transporte.
Nos últimos anos, precisou se aposentar por conta de problemas de saúde, e seguiu na região de Não-Me-Toque até o falecimento.
Durante sua longa jornada pelas estradas do brasil, foi exemplo para centenas de outras mulheres que tinham o sonho de viver na boleia de um caminhão.
O último caminhão que pertenceu a ela foi um Mercedes-Benz Axor.
Nahyra Schwanke foi velada neste domingo (22), em Não-Me-Toque (RS), e sepultada no Cemitério Evangélico da Cidade.
Veja história da "Rainha do Asfalto":
A história de Nahyra Schwanke mostra a "caminhoneira que desafiou o tempo e inspirou o Brasil"
Por mais de 60 anos, ela dominou as estradas com coragem e batom. Conheça a trajetória da mulher que provou que sonhos não têm idade, e que o volante também tem lugar para quem acredita.
A menina que sonhava com caminhões
No interior de Santa Catarina, nos anos 1940, uma menina de 12 anos chamada Nahyra Schwanke já sabia o que queria da vida. Enquanto outras crianças brincavam, ela guiava um trator na fazenda da família em Arroio Bonito, no Rio Grande do Sul, com os olhos fixos nos caminhões que cortavam as estradas de terra. O ronco dos motores era sua música; a poeira levantada pelas rodas, seu horizonte. Mas ela pensava que o mundo ainda não estava pronto para uma mulher no volante.
O amor que esperou sua hora
Na década de 1950, Nahyra seguiu o roteiro que a sociedade esperava: casou, teve uma filha, Salete, e viveu uma vida "convencional". Mas o coração dela batia mais forte quando via um caminhão passar. Quando seu casamento acabou, ela não hesitou: em 1958, aos 27 anos, comprou seu primeiro caminhão, um ato de coragem que mudaria sua história.
Estrada, sua verdadeira casa
Nos anos seguintes, Nahyra virou lenda. Rodava até 10 mil quilômetros por mês, enfrentando sol, chuva e noites solitárias na cabine, onde dormia em uma pequena cama. Transportava trigo, arroz e cevada, e cada carga significava o sustento da filha e os livros para sua educação. "Minha filha nunca passou necessidade porque eu dirigia com orgulho", dizia.
Ela não era apenas habilidosa: era impecável. Em 60 anos de estrada, zero acidentes, zero multas. Sua regra? "Respeite a velocidade, a vida e o caminho." Enquanto homens duvidavam, ela respondia com batom nos lábios e uma bolsa cheia de feminilidade: "Mulher pode ser o que quiser, até caminhoneira."
Com seu jeito irreverente, Nahyra conquistou as redes sociais. Vídeos dela cantando no volante ou mostrando seu Mercedes-Benz Axor 2536 emocionaram milhares. A própria Mercedes-Benz se rendeu à sua história, presenteando-a com um caminhão em miniatura personalizado. "Sou uma vovó moderna!", brincava, abraçando a tecnologia sem medo.
O último pedágio: a aposentadoria com honra
O tempo, implacável, trouxe varizes e cansaço. Aos 90 e poucos anos, Nahyra parou de dirigir e foi morar em Não Me Toque, RS, cercada pela filha e seus cachorros. Antes, ainda contratou um motorista e continuou a viajar, até decidir pelo aposento.
As longas jornadas acabaram, mas seu legado permanece: ela não só dirigiu caminhões, mas, ela dirigiu mudanças.
Antes de deixar as estradas, Nahyra deixou um conselho:
"Meninas, nunca desistam. A vida é como uma viagem: tem curvas, subidas e buracos, mas quem insiste chega lá. E não importa se você é mulher, jovem ou velha, o volante é seu se você tiver coragem de pegá-lo."
Nahyra Schwanke não foi apenas a caminhoneira mais velha do mundo. Foi a prova de que sonhos, quando alimentados por paixão, não envelhecem, e, que as estradas mais difíceis levam aos lugares mais bonitos.
A Mercedes-Benz produziu um vídeo em homenagem à Nahyra ainda em vida.
Vídeo com homenagem da Mercedes-Benz :


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