Ex-embaixador do PT britânico nos EUA é preso por envolvimento no caso Epstein
Político, que renunciou à cadeira em fevereiro, teria mantido relação próxima com financista mesmo depois de sua condenação por crimes sexuais
Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
A polícia britânica prendeu nesta segunda-feira Peter Mandelson, figura central do PT (Partido Trabalhista britânico) e um dos principais articuladores dos governos do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, por implicações nos arquivos Epstein. De acordo com o comunicado da Met Police, a detenção está relacionada com o mesmo crime do qual é acusado o ex-príncipe Andrew, má conduta em cargos públicos.
O político, que renunciou à cadeira no parlamento britânico no início de fevereiro e já havia sido retirado do cargo de embaixador nos EUA em setembro do ano passado, teria mantido relação próxima com o financista mesmo depois de sua condenação por crimes sexuais. A proximidade desencadeou um escândalo político e moral com repercussão em Londres.
"Ele foi preso em um endereço em Camden na segunda-feira, 23 de fevereiro, e levado para uma delegacia de polícia em Londres para interrogatório. Isso ocorreu após mandados de busca e apreensão em dois endereços nas áreas de Wiltshire e Camden", disse um agente da Polícia Metropolitana.
O premier britânico enfrentou pedidos de integrantes de seu próprio Partido Trabalhista para que deixasse o cargo, após correspondências documentarem uma relação muito mais próxima entre Epstein e Peter Mandelson, nomeado pelo primeiro-ministro Keir Starmerpor Starmer como embaixador britânico nos Estados Unidos.
Entenda
Os documentos citados organizam as suspeitas em três eixos. O primeiro envolve o suposto compartilhamento de informações governamentais sensíveis com Epstein. Entre os conteúdos mencionados estariam dados sobre a crise financeira de 2008, um relatório confidencial destinado ao então primeiro-ministro Gordon Brown e a antecipação de um resgate europeu de 500 bilhões de euros antes do anúncio oficial — elementos que sugerem possível violação de confidencialidade estatal.
O segundo núcleo diz respeito a relações financeiras. Registros teriam identificado pagamentos de 75 mil dólares feitos por Epstein a contas vinculadas a Mandelson ou ao seu parceiro, o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, reforçando suspeitas de vínculo material entre ambos.
O terceiro ponto reúne evidências visuais e sinais de proximidade pessoal que ampliaram o desgaste público. A imprensa divulgou uma fotografia de Mandelson vestido com roupa íntima, uma cueca, no apartamento de Epstein, em Paris, além de registros de mensagens nas quais o político se referia ao financista como “melhor amigo”.
Renúncia
Mandelson deixou o Partido Trabalhista e renunciou à Câmara dos Lordes. O governo de Keir Starmer planeja retirar seu título vitalício e já o havia destituído do cargo de embaixador em Washington em setembro. Paralelamente, o Serviço Civil britânico revisa seus contatos governamentais, enquanto a polícia metropolitana abriu investigação por possível quebra de confidencialidade.
O episódio se soma a controvérsias anteriores na carreira do político. Mandelson já havia renunciado em 1998 após a revelação de um empréstimo secreto para a compra de uma casa e, em 2001, por suspeita de interferência no passaporte de um bilionário. Apesar disso, teve papel decisivo nas vitórias eleitorais de Tony Blair e na consolidação do Novo Trabalhismo.
Agora, o caso Epstein é descrito internamente como o golpe definitivo em seu legado. Avaliações no governo indicam que Mandelson não deve permanecer na vida pública, e sua renúncia é interpretada como tentativa de evitar punições legais mais severas e “mais constrangimentos”.
DigoresteNews/OGlobo

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