Hospital da Morte - 100% de pacientes internados com Covid em hospital de MT morreram

O Observatório já encaminhou notificação extrajudicial ao governador Mauro Mendes para assumir a gestão do hospital, mas não houve vontade política


 Quinta-feira, 14 de janeiro de 2021 

Relatório do Observatório Social de Mato Grosso apontou que todos os pacientes com covid-19 internados em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) do Hospital Regional de Sinop (500 km ao norte de Cuiabá) desde o mês de outubro morreram.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) negou para o portal Gazeta Digital que todos os pacientes com covid19 internados na UTI do hospital tenham morrido. O levantamento do Observatório leva em consideração dados divulgados pelo estado e pelo Ministério da Saúde.

De acordo com o estudo, divulgado nesta quinta-feira (14), 60 óbitos foram registrados na unidade médica desde o mês de outubro. Este número representa todos os pacientes encaminhados para UTI, não tendo nenhum se recuperado da doença e saído com vida.

Ainda conforme o balanço, desde junho o número de óbitos pela doença aumentou vertiginosamente no hospital. Em maio, 3 pessoas receberam alta, 3 morreram e uma foi transferida. Enquanto em junho 43 pessoas morreram e apenas duas se recuperaram.

No período entre junho e setembro, o número de mortes seguiu em alta no hospital, variando de 43 a 60 vítimas por mês, enquanto o valor máximo de pessoas que se recuperaram não passou de dois pacientes.

O Observatório tem acompanhado a situação dos contratos do hospital há mais de um ano e teria verificado graves falhas no gerenciamento das UTIs na unidade, que ficaram ainda mais prejudicadas com a pandemia da covid-19.

Segundo o Observatório, o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, foi alertado sobre a situação da unidade ainda em setembro de 2019. Posteriormente, em junho de 2020, o gestor foi novamente questionado via ação judicial.

"Na análise feita em agosto sobre os processos de pagamento já mencionados, foi possível constatar fatos que possivelmente ainda ocorrem, pois ainda persiste a empresa Organização Goiana de Terapia Intensiva e o contrato que transfere a responsabilidade pela uti a uma empresa privada e faz pagamentos fixos sem nenhuma exigência de indicadores de qualidade no atendimento", aponta a entidade em trecho do estudo.

No balanço, o Observatório informou que já encaminhou notificação extrajudicial ao governador Mauro Mendes (DEM) recomendando ao gestor que o Estado assumisse a gestão do hospital.

"Entretanto, vemos que não há vontade política para tanto e por isso, para evitar que a altíssima mortalidade continue nas utis públicas do estado, seja UTI covid ou UTI normal, então o Observatório pediu apoio de outras instâncias, CRM, AMIB, Ministério da Saúde, Ministério Público, Polícia Federal e Justiça Federal", apontou.

Por fim, o estudo tem encaminhamentos voltados para o governador, a fim de que o gestor transfira a gestão para o Estado e não abra novas UTIs enquanto não elaborar análise da alta taxa de mortalidade na unidade.

À reportagem, a SES apontou que criou uma comissão de profissionais habilitados para analisar os prontuários dos pacientes hospitalizados na unidade médica.

"A Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) informa que não procede a informação de que todos os pacientes hospitalizados na UTI Covid do Hospital Regional de Sinop vieram a óbito nos últimos três meses. A SES criou uma comissão composta por profissionais habilitados na área, como médicos e técnicos em saúde, para apurar detalhadamente cada prontuário dos pacientes que foram hospitalizados na UTI Covid-19 do Hospital Regional de Sinop", apontou a pasta.




Título do Digoreste News, com informações de texto do GD

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