INCRÍVEL - 90 dias antes de Moro deixar o governo, Bebianno previu tudo, como ocorreu

A obsessão de Bolsonaro pelo poder, combinada com as paranoias de traição, se sobrepõe ao excelente trabalho de Sérgio Moro - Disse Bebianno

 Segunda-feira, 21 de dezembro de 2020 


 RETROSPECTIVA - DIGORESTE NEWS 

Em matéria publicada pelo UOL dia 23 de janeiro deste ano (2020), o Colunista Tales Faria lembrou que bastou o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, despontar em quarto lugar em pesquisas de intenção de voto naquela oportunidade, e o presidente Jair Bolsonaro já anunciou que pensava em esvaziar o poder do auxiliar, retirando de sua pasta as atribuições sobre Segurança Pública, que passariam para um novo ministério. 

O ex-ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência Gustavo Bebianno (In Memorian), foi procurado para saber como ele achava que Sérgio Moro seria tratado dali para a frente. 

Bebianno era amigo e advogado de Bolsonaro. Foi seu braço-direito na campanha presidencial de 2018, designado pelo candidato para presidir o partido (PSL) a fim de vigiar as contas. Assumiu o comando do fortíssimo ministério no Planalto, mas entrou em choque com o filho Zero-2 do presidente, Carlos Bolsonaro, e acabou demitido. 

Sobre Moro, Bebianno já sabia naquele momento, (90 dias antes da saída de Sérgio Moro do Governo),  que o ex-super-ministro já havia entrado na linha de tiro do presidente: 

"Infelizmente, o Jair só pensa em reeleição. A sorte do país é que há alguns ministros que efetivamente trabalham pelo Brasil, e para o Brasil, a exemplo do Sérgio Moro e do ministro da Economia, Paulo Guedes. Essa obsessão pelo poder, combinada com as paranoias de traição, se sobrepõe ao excelente trabalho desses auxiliares. Como o Jair morre de medo do Moro nas urnas, fará de tudo para acabar com ele até 2022.", previu o ex-ministro. 

Perguntado se então esse raciocínio também valeria para o ministro Guedes, Bebianno respondeu: 

"Se ele desconfiar que o Paulo Guedes também tem pretensões políticas, fará o mesmo. Os interesses do país pouco importam para o Jair. O foco é ser reeleito, custe o que custar. É idêntico ao Lula" 

Segundo ele, havia "um grande perigo de curto prazo", que merecia a atenção de todos com a transferência da Polícia Federal para o tal Ministério da Segurança Pública, que seria criado: 

"Até agora, Moro foi o freio que inibiu o uso político da Polícia Federal, o que, com toda certeza, irrita bastante o Jair. Sem o Moro, as chances de a PF ser utilizada como ferramenta de opressão contra os desafetos serão grandes. Isso poderá gerar um clima muito pesado no país, falou Bebiano em janeiro de 2020, repito, 90 dias antes de Sérgio Moro sair do governo.

Bebianno ainda mandou um conselho para o então ministro da Justiça: 

"Se o Moro me pedisse um conselho, diria a ele o seguinte: saia desse governo o quanto antes, mantenha-se o mais longe possível da família Bolsonaro e volte no início de 2022 como pré-candidato à presidência da república. Jair não terá a mínima chance contra você. 

Notícias constam que no dia 14 de março, Bebianno estava em seu sítio em Teresópolis quando teve um infarto fulminante, vindo a morrer aos 56 anos de idade. 

Bem, o resultado depois dessas declarações e previsões, nos sabemos.




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