"GRAVE" - Alexandre de Moraes condenava primeiro, depois buscava os elementos, diz ex-assessor
Tagliaferro afirma que o magistrado montava processos de forma inversa: "A condenação era dada primeiro e depois se buscava os elementos"
Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Declarações de Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, voltaram a ganhar repercussão em meio à atual crise envolvendo o STF.
Em audiência pública realizada no Senado em setembro de 2025, Tagliaferro apresentou mensagens e documentos e acusou Alexandre de Moraes de conduzir determinados procedimentos de maneira “inversa”, buscando elementos depois que os alvos e as medidas já estariam definidos.
“Na verdade, o processo foi ao contrário”, declarou Tagliaferro. Segundo ele, em vez de uma investigação produzir elementos que posteriormente fundamentassem uma decisão judicial, teria ocorrido situação em que o magistrado primeiro determinava medidas e depois solicitava relatórios para abastecer os procedimentos.
A afirmação é uma acusação feita pelo ex-assessor e permanece contestada pelo gabinete de Moraes.
Tagliaferro também mostrou trocas de mensagens envolvendo Paulo Gonet, que na época era vice-procurador-geral eleitoral. Em uma delas, um assessor identificado como Lucas afirma ter procurado Tagliaferro a pedido de Gonet para tratar de “um assunto que o Dr. Paulo tratou com o Ministro Alexandre hoje cedo”.
Outros prints apresentados aos senadores indicam que Gonet teria solicitado uma relação de decisões envolvendo remoção de publicações nas redes sociais. Em outra conversa, o assessor relata que Moraes teria enviado um vídeo a Gonet e que a equipe precisava identificar quem havia feito a publicação original.
Para Tagliaferro, as mensagens demonstrariam uma interlocução inadequada entre quem atuava pelo Ministério Público e o magistrado responsável pelos procedimentos.
Um dos episódios mais controversos envolve a operação de agosto de 2022 contra empresários bolsonaristas. Tagliaferro afirmou que um relatório apresentado posteriormente no processo teria sido produzido somente depois das medidas determinadas por Moraes.
O gabinete do ministro confirmou que o relatório foi solicitado após a decisão de 19 de agosto, mas rejeitou qualquer irregularidade e afirmou que o documento foi juntado aos autos no dia 29, com conhecimento das partes.
Moraes sustenta que todos os procedimentos foram oficiais, regulares e documentados, com participação da Procuradoria-Geral da República. Na época das acusações sobre as mensagens, a assessoria de Paulo Gonet informou que ele não se manifestaria.

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