Crise entre ministros do STF ameaça levar Lula a derrota
Presidente teria encomendado pesquisas para avaliar impacto do caso Master e discutido alternativas para reduzir o embate entre Moraes e Mendonça
Domingo, 06 de setembro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria intensificado as articulações em torno da crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) diante da preocupação com os possíveis reflexos do episódio sobre sua campanha à reeleição.
A principal preocupação, segundo apurações divulgadas pelo Metrópoles, seria evitar que a imagem do presidente fique associada à do ministro Alexandre de Moraes em meio ao desgaste provocado pelas investigações relacionadas ao caso Master.
O núcleo da campanha de Lula teria encomendado pesquisas qualitativas para avaliar como o eleitorado está percebendo a crise e quais podem ser os impactos do episódio no cenário eleitoral.
Em conversas reservadas com ministros do Supremo, Lula teria surpreendido ao pedir argumentos que pudessem ser utilizados para defender institucionalmente a Corte.
De acordo com os relatos, o presidente ouviu dos ministros que deveria ter cautela ao fazer críticas ao tribunal, principalmente porque o próprio governo depende do STF em situações que envolvem decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Lula também teria ouvido que o Supremo possui cerca de 130 anos de história, já enfrentou diferentes períodos de crise e tem condições de defender sua própria atuação institucional, sem precisar ficar em dívida com qualquer governo ou grupo político.
Nesta sexta-feira (4), Lula se reuniu com o presidente do STF, ministro Edson Fachin, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo apuração do Metrópoles, uma das possibilidades discutidas para reduzir a tensão seria Fachin assumir o trecho do caso Master que envolve Moraes.
A medida retiraria essa parte da investigação da relatoria de André Mendonça.
Auxiliares de Mendonça não considerariam a proposta negativa, e a ideia teria recebido apoio de integrantes da Corte. No entanto, a mudança enfrenta limitações regimentais.
Pelas regras do Supremo, a escolha de um novo relator precisa obedecer aos critérios de distribuição dos processos. O presidente da Corte não poderia simplesmente escolher quem assumiria o inquérito.
Caso a alternativa avance, o caso Master passaria a ter um terceiro relator. O primeiro foi Dias Toffoli, que deixou a relatoria após a revelação de que teria recebido dinheiro de Daniel Vorcaro. Mendonça assumiu posteriormente a condução do processo.
A permanência de Mendonça na relatoria é vista, dentro do Supremo, como um dos fatores que mantêm aceso o conflito entre ele e Moraes.
Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que apresenta conversas entre Moraes e Vorcaro.
Entre os diálogos está uma consulta atribuída ao ministro sobre a possibilidade de deixar o país diante da iminência de um pedido de prisão, além de supostas informações relacionadas ao andamento das investigações.
Moraes, por sua vez, pediu a investigação de Mendonça. O ministro sustenta que o colega teria, em tese, cometido possíveis irregularidades, incluindo improbidade administrativa, crime de responsabilidade, abuso de autoridade, quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos, ignorando o fato dele ter sido o nome envolvido no alto da corrupção, nada apagará o fato dos contratos milionários e presentes do banqueiro ao ministro.
As acusações ainda são objeto de apuração e não representam, por si só, conclusão definitiva sobre eventual prática de crime.
A divisão do caso Master também poderia evitar que Mendonça fosse afastado da relatoria em razão de um encontro que manteve com Daniel Vorcaro em seu instituto privado.
Segundo o próprio ministro, a reunião teve como objetivo tratar de um processo relacionado a precatórios que estava em julgamento no Supremo.
O encontro, porém, gerou questionamentos porque ocorreu em um ambiente privado, fora da agenda oficial e teria sido intermediado por um advogado.
Após reportagem do ICL revelar a reunião, Mendonça deixou a sociedade no instituto.
A eventual redistribuição de parte do caso Master, portanto, passou a ser tratada como uma alternativa para reduzir o confronto entre os ministros e tentar conter a crise interna no Supremo, embora a medida dependa das regras regimentais da Corte e de uma definição formal sobre a condução das investigações.

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