Câncer infantojuvenil deve atingir 7,5 mil crianças e adolescentes por ano no Brasil
Quarta-feira, 16 de setembro de 2026
No Setembro Dourado, especialista do INRAD alerta para a importância do diagnóstico ágil e dos avanços no tratamento, especialmente nos tumores do sistema nervoso central
O Brasil deve registrar 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA)¹. Em 2023, foram registradas 2.325 mortes pela doença². Atualmente, o câncer é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no país¹.
Neste Setembro Dourado, o Ministério da Saúde definiu como lema da campanha “O câncer infantojuvenil tem desafios, mas também tem cura: fique atento aos sinais”. Diferentemente de alguns tumores em adultos, não há indicação de rastreamento populacional para o câncer nessa faixa etária. Por isso, a atenção a sinais persistentes, a investigação adequada e o acesso rápido ao tratamento especializado são fundamentais.
Entre os cânceres da infância, os tumores do sistema nervoso central representam cerca de 20% das neoplasias e constituem o grupo de tumores sólidos mais frequente em crianças³. Nesses casos, os exames de imagem são essenciais para o diagnóstico, a definição da extensão da doença, o planejamento terapêutico e o acompanhamento da resposta ao tratamento.
Segundo a Dra. Rosangela Correa Villar, especialista em radioterapia pediátrica do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da FMUSP (INRAD HCFMUSP), o tratamento de crianças e adolescentes requer cuidados específicos, considerando tanto o controle da doença quanto os possíveis impactos no desenvolvimento.
“Na criança, o planejamento exige cuidados específicos porque estamos lidando com um organismo em desenvolvimento. Na radioterapia, buscamos direcionar o tratamento ao tumor com a maior precisão possível, preservando tecidos e órgãos saudáveis e reduzindo efeitos que podem aparecer ao longo da vida”, explica.
Novo acelerador linear amplia recursos para radioterapia pediátrica
O INRAD incorporou recentemente um novo acelerador linear, com investimento superior a R$ 8 milhões, que também poderá ser utilizado no tratamento de crianças e adolescentes, conforme indicação clínica. O equipamento conta com recursos como a radioterapia guiada por superfície (SGRT), que permite monitorar o posicionamento do paciente durante as sessões e contribui para tratamentos mais precisos.
Para Dra. Rosangela, esses avanços são particularmente relevantes na população pediátrica. “Quando falamos em câncer infantojuvenil, nosso objetivo não é apenas aumentar as chances de cura, mas fazer com que essa criança possa chegar à vida adulta com a melhor qualidade de vida possível. Por isso, diagnóstico, tratamento especializado e acompanhamento de longo prazo precisam caminhar juntos”, afirma.

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