Jayme aponta suposto desvio de R$ 1,5 bilhão na Saúde e pede investigação sobre consignados

Senador pede que CGU investigue aplicação de recursos na Saúde de Mato Grosso

 Quinta-feira, 13 de agosto de 2026 

O senador Jayme Campos (União Brasil) pediu que a Controladoria-Geral da União (CGU) investigue um suposto desvio de mais de R$ 1,5 bilhão envolvendo recursos da Saúde de Mato Grosso e solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça uma investigação “severa” sobre os empréstimos consignados dos servidores públicos estaduais. As declarações foram feitas durante discurso no Senado Federal nesta quarta-feira (12.08).

Da tribuna, Jayme fez uma grave acusação sobre a aplicação de recursos na Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) e apelou diretamente ao chefe da CGU, Vinícius Carvalho, para que o órgão investigue o caso.

“Quero recorrer aqui de público ao chefe da Controladoria-Geral da União, ao Dr. Vinícius Carvalho, que faça uma investigação em relação à Secretaria de Saúde de Mato Grosso. Pelo que me consta, foram mais de R$ 1,5 bilhão até agora desviados em favor da saúde da nossa população”, declarou.

A cifra de R$ 1,5 bilhão foi apresentada pelo próprio senador. No discurso, Jayme não informou a origem do valor, o período a que o suposto desvio se refere ou quais contratos, pagamentos ou empresas estariam envolvidos. Também não apresentou, durante a fala, documentos que comprovassem a acusação.

“ROUBARAM O SERVIDOR”

Jayme também voltou suas críticas para os empréstimos consignados contratados por servidores públicos de Mato Grosso. O senador pediu diretamente ao ministro André Mendonça que seja realizada uma investigação sobre as operações.

“Solicito aqui ao ministro André Mendonça que faça uma investigação severa em relação aos consignados, que, lamentavelmente, o que se fez lá foi roubar o servidor público”, disparou.

Para exemplificar a situação, Jayme afirmou que haveria servidores que contrataram valores relativamente baixos, já pagaram quantias superiores ao empréstimo original e, mesmo assim, permaneceriam com dívidas elevadas.

“Tem gente que emprestou R$ 10 mil, pagou R$ 20 mil, ainda deve R$ 50 mil. Não. Nós temos que aqui lutar para melhorarmos esse ambiente em termos de poder público em Mato Grosso”, afirmou.

O parlamentar não identificou, durante esse trecho do pronunciamento, os servidores que estariam nessa situação nem apresentou contratos que demonstrassem os valores mencionados.

“Antro de corrupção”

Ao tratar das suspeitas que, segundo ele, precisam ser investigadas no Estado, Jayme endureceu ainda mais o discurso e classificou Mato Grosso como um “antro de corrupção”.

“Virou verdadeiramente um antro de corrupção, em que o dinheiro público hoje você não sabe se é público ou se é privado. Grandes negócios estão feitos às caladas da noite”, declarou.

O senador defendeu que os recursos arrecadados pelo Estado sejam direcionados à população e cobrou atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização e investigação.

“Nós temos que dar um ponto final nisso aí, para que o dinheiro de Mato Grosso, de fato, arrecadado seja aplicado em favor da nossa população. É um desabafo que eu faço aqui, mas na defesa das boas práticas políticas”, disse.

Jayme afirmou ainda que sua manifestação não teria como objetivo defender interesses partidários ou de determinado segmento.

“Não tô aqui defendendo interesse de qualquer que seja, ou de partido ou muito menos de segmento da sociedade. Tô aqui para defender toda uma coletividade que tá sendo roubada a sua esperança, roubada a oportunidade de ter um Estado que possa ser um Estado que possamos construir com justiça social e com mais cidadania”, declarou.

As declarações sobre suposto desvio de R$ 1,5 bilhão na Saúde, irregularidades nos empréstimos consignados e corrupção são acusações feitas pelo senador Jayme Campos. 

No discurso, o parlamentar não apresentou elementos que permitam confirmar as afirmações. Eventuais responsabilidades dependem de apuração pelos órgãos competentes, com garantia do contraditório e da ampla defesa.

Ao final, o próprio senador defendeu que qualquer responsabilização ocorra após investigação e comprovação dos fatos.

“Cabe às autoridades investigar. Cabe aos órgãos competentes apurar com responsabilidade, garantindo o direito de defesa e o devido processo legal. Mas uma coisa precisa ficar muito clara: a lei deve valer para todos”, afirmou.

Jayme defendeu uma investigação “profunda, rigorosa e célere” e disse que, caso sejam comprovadas irregularidades, os responsáveis devem responder.

“Se ficar comprovado que alguém meteu a mão no dinheiro público, precisa responder por seus atos. Não podemos aceitar a impunidade. Política não pode ser instrumento de enriquecimento pessoal”, concluiu.


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