Ex-marido foi o primeiro a tentar socorrer jovem, assassinada pelo atual companheiro em Cuiabá

Horas antes do crime, companheiro teria dito que Ana Cristina Matos, 20, “não ficaria com outra pessoa”

 Terça-feira, 18 de agosto de 2026 

Horas antes de Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, ser morta com um tiro na nuca, dentro de casa, no bairro Alvorada, em Cuiabá, o homem apontado pela Polícia Civil como principal suspeito do crime teria feito uma ameaça contra a jovem.

Segundo relato de testemunha aos investigadores, ele afirmou que ela “não ficaria com outra pessoa”.

Na madrugada de sábado (15), Ana foi baleada e morreu após ser socorrida.

O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) como feminicídio.

O suspeito, de 43 anos, conhecido como 'Pepi', que seria companheiro da vítima, fugiu depois do crime e era procurado pelas forças de Segurança até o fechamento desta edição.

Um dos aspectos mais dramáticos da investigação é a presença do filho pequeno de Ana na residência.

A criança, de aproximadamente três anos, pode ter presenciado o assassinato da mãe e foi encontrada acordada e em estado de choque.

As informações reunidas, até agora, pela Polícia Civil indicam que a violência foi antecedida por uma sequência de acontecimentos ao longo de algumas horas.

De acordo com o delegado Bruno Abreu, da DHPP, uma testemunha relatou que o suspeito esteve na casa da vítima por volta das 18 horas de sexta-feira (14).

Na ocasião, teria deixado uma motocicleta no local e feito a ameaça contra Ana.

Testemunhas também relataram ter ouvido uma discussão durante a noite. 

Já na madrugada, por volta das 5 horas, conforme os relatos obtidos pelos investigadores, o homem teria retornado à residência e efetuado um disparo contra a nuca da jovem. Depois, teria trancado a porta e fugido.

Ana ainda foi levada para atendimento médico, mas não resistiu ao ferimento.

CRIANÇA ESTAVA NA CASA - O filho pequeno da vítima estava no imóvel no momento do crime.

As informações disponíveis apontam que a criança tinha cerca de três anos.

Ex-marido foi o primeiro a tentar socorrer Ana

Segundo relato registrado no boletim policial, depois do disparo, o ex-marido de Ana foi avisado dos acontecimentos pela irmã dela, então ele foi ao endereço. Ao chegar, teria sido recebido pela criança, que entregou a chave do portão. Na casa, ele encontrou Ana caída, com intenso sangramento na cabeça e no rosto.

Ela foi socorrida pelo ex-companheiro, pelo irmão e por um vizinho e encaminhada ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), onde morreu.

Outra informação reunida no boletim diz que Ana deixa dois filhos. Além da criança que estava na residência, haveria outro filho que moraria com o ex-companheiro da vítima.

A eventual presença da criança durante o assassinato integra a apuração policial.

MALA É ENCONTRADA - Outro elemento encontrado na residência chamou a atenção dos investigadores.

Durante a perícia, uma bolsa com roupas já separadas foi localizada no imóvel.

Segundo a Polícia Civil, o material pode indicar uma tentativa de criar um álibi, dando a impressão de que o suspeito estaria viajando e não se encontraria em Cuiabá no momento do assassinato.

Essa hipótese ainda está sendo investigada e não representa uma conclusão definitiva sobre a finalidade da bagagem.

A cena do crime também apresentava dificuldades para o trabalho pericial porque, quando os policiais chegaram, Ana já havia sido retirada da residência e o local não estava adequadamente preservado.

A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foi acionada.

BUSCAS PELO SUSPEITO - Depois do disparo, o homem teria fugido utilizando uma motocicleta.

A Polícia Civil informou possuir imagens e outras informações capazes de auxiliar na identificação formal e na localização do suspeito.

Os possíveis destinos de fuga não foram divulgados para não comprometer as buscas.

Caso ele não fosse localizado em situação de flagrante, a DHPP deveria representar à Justiça por sua prisão.

A investigação deverá agora reconstruir a sequência de acontecimentos que antecedeu o assassinato e verificar, entre outros pontos, o contexto da relação entre vítima e suspeito. 

HORAS ANTES DO CRIME

SEXTA-FEIRA, POR VOLTA DAS 18H

Segundo testemunha, o suspeito vai até a residência de Ana e faz uma ameaça. Teria afirmado que ela “não ficaria com outra pessoa”.

DURANTE A NOITE

Testemunhas relatam ter ouvido discussão envolvendo o casal.

MADRUGADA DE SÁBADO

Segundo os relatos reunidos pela investigação, o suspeito retorna à residência.

POR VOLTA DAS 5H

Ana é atingida por um disparo na nuca. O homem apontado como autor teria trancado a porta antes de fugir.

DEPOIS DO DISPARO

A criança de aproximadamente três anos permanece no imóvel. A Polícia Civil trabalha com a possibilidade de que tenha presenciado o crime.

SOCORRO

Ana é retirada da residência e levada para atendimento médico, mas não resiste.

INVESTIGAÇÃO

A DHPP apura o feminicídio e busca localizar o suspeito.



Fonte: Polícia Civil/boletim de ocorrência e informações reunidas no boletim policial de 15 de agosto.


Nenhum comentário