ATENÇÃO - Mortes por gripe sobem 31% e acendem alerta em Cuiabá
Capital tem 2.386 casos de influenza A e B e 21 mortes em 2026; menos da metade do público prioritário foi imunizada
Cuiabá enfrenta um avanço preocupante da influenza em meio à temporada de maior circulação dos vírus respiratórios.
Dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mostram que, entre janeiro e julho deste ano, foram registrados 2.386 casos de influenza A e B, aumento de quase 75% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram notificadas 1.364 ocorrências.
O impacto também aparece no número de mortes.
Até julho, 21 pessoas morreram em decorrência da doença na Capital, crescimento de 31,2% na comparação com o ano passado, que contabilizou 16 óbitos.
Para a Secretaria Municipal de Saúde, o aumento resulta da combinação de diferentes fatores.
Além da maior circulação dos vírus influenza, houve ampliação da oferta de exames laboratoriais para diagnóstico da doença.
No entanto, a baixa cobertura vacinal continua sendo apontada como um dos principais fatores para o agravamento do cenário.
Quatro meses após o início da campanha nacional de vacinação, Cuiabá ainda está distante da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde para os grupos prioritários.
Dados do ministério mostram que, das 154.991 pessoas consideradas prioritárias — entre crianças de seis meses a cinco anos, idosos, gestantes, puérperas, profissionais da saúde e professores — apenas 62.295 receberam a vacina, o equivalente a 40,19% do público-alvo.
O índice preocupa as autoridades sanitárias porque impede a ampliação da vacinação para toda a população.
Conforme o protocolo adotado pelo Ministério da Saúde, os municípios somente podem liberar as doses para o público em geral após atingir cobertura superior a 50% entre os grupos prioritários.
TEMPO SECO AGRAVA QUADRO
Além da baixa imunização, as condições climáticas típicas desta época do ano contribuem para o aumento das doenças respiratórias.
A combinação entre estiagem prolongada, baixa umidade relativa do ar e fumaça das queimadas favorece a disseminação dos vírus e aumenta o risco de complicações, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
O ar seco provoca ressecamento das vias respiratórias, enquanto as partículas liberadas pela fumaça irritam os pulmões e reduzem a capacidade de defesa do organismo, criando ambiente favorável para infecções virais.
NAS ESCOLAS
Como estratégia para ampliar a cobertura vacinal, a Prefeitura de Cuiabá, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), levará equipes de vacinação às escolas da rede municipal.
A proposta prevê a conferência das carteiras de vacinação dos estudantes e a atualização das doses em atraso, mediante autorização dos pais ou responsáveis.
Segundo a secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, o objetivo é facilitar o acesso das famílias aos imunizantes e aumentar a proteção das crianças antes do período de maior circulação dos vírus respiratórios.
MULTIVACINAÇÃO
Além da campanha contra a influenza, a Secretaria Municipal de Saúde iniciou a Campanha Nacional de Multivacinação 2026.
As 72 unidades básicas de saúde disponibilizam gratuitamente vacinas contra poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, hepatites A e B, rotavírus, meningites, febre amarela, covid-19 e HPV.
O Dia D de vacinação será realizado em 22 de agosto, enquanto a campanha prossegue até 1º de setembro.
A orientação da secretaria é para que a população procure a unidade de saúde mais próxima levando documento oficial, Cartão SUS e carteira de vacinação, permitindo que os profissionais verifiquem a necessidade de atualização do esquema vacinal.

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