Safra recorde mantém frete elevado para o escoamento de grãos no MT
Conab aponta que demanda aquecida por transporte sustenta preços próximos ao pico da colheita
Quarta-feira, 08 de julho de 2026
A safra recorde de grãos continua sustentando os preços do transporte rodoviário de cargas agrícolas em Mato Grosso, principal produtor de grãos do país.
Mesmo com o encerramento do pico de escoamento da soja, a demanda por caminhões permanece elevada e impede uma queda mais acentuada nos fretes, segundo boletim divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
De acordo com a estatal, a expectativa do mercado era de redução dos valores após o término da colheita da primeira safra.
No entanto, a produção recorde de soja e o aumento no volume de grãos destinados ao mercado interno e às exportações mantiveram o setor logístico aquecido.
Segundo o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, os preços permanecem em níveis muito próximos aos registrados durante o auge da safra, entre fevereiro e março.
"A produção recorde de soja, com aumento de 8,8 milhões de toneladas em relação à safra anterior, mantém aquecida a demanda pelo transporte de grãos", destacou o superintendente em nota.
Em Mato Grosso, onde se concentra a maior produção agrícola do país, a Conab identificou apenas pequenas oscilações nas tarifas em maio, em comparação com abril.
Apesar da estabilidade, os preços continuam elevados e refletem a intensa movimentação de cargas nas principais rotas de escoamento.
O comportamento difere de outras regiões do país.
No Distrito Federal e no Maranhão, os fretes apresentaram alta impulsionada pelo avanço do transporte das safras de soja e milho.
No Paraná, os preços oscilaram devido ao aumento do diesel S-10 e à elevada demanda sobre a infraestrutura rodoviária.
Já em Goiás, Bahia, Piauí e São Paulo, os valores recuaram diante da redução da movimentação de grãos.
Em Goiás e na Bahia, o mercado foi influenciado pelo fim da colheita da soja e pelo intervalo até o início da comercialização da segunda safra de milho.
No Piauí, a retração foi intensificada pela queda de 22% nas exportações de soja, enquanto, em São Paulo, a redução dos custos do diesel e o enfraquecimento da demanda industrial contribuíram para a diminuição dos fretes
Os números da Conab mostram que o ritmo de comercialização segue elevado.
As exportações brasileiras de soja somaram 55,1 milhões de toneladas entre janeiro e maio deste ano, enquanto os embarques de milho alcançaram 7,5 milhões de toneladas no mesmo período, volume superior aos 6,1 milhões de toneladas registrados nos cinco primeiros meses de 2025.
Para Mato Grosso, maior produtor nacional de soja e milho, o cenário reforça a importância da logística para a competitividade do agronegócio.
A manutenção dos fretes em patamares elevados evidencia que, mesmo após o encerramento da colheita da soja, a demanda pelo transporte continua forte, impulsionada pela expectativa de uma safra recorde e pelo avanço da segunda safra de milho, que deve manter intenso o fluxo de cargas nos próximos meses.

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