Rally da Safra projeta produção de 2,9 milhões de toneladas de pluma em Mato Grosso
Maior produtor nacional terá redução de área plantada, mas produtividade maior deve amenizar queda na colheita;
Domingo, 26 de julho de 2026
Maior produtor de algodão do país, Mato Grosso será um dos principais focos da segunda edição da Etapa Algodão do Rally da Safra, que começou nesta semana com equipes em campo para avaliar as condições das lavouras durante a colheita da safra 2025/26. A expectativa da Agroconsult, organizadora da expedição, é de que o Estado colha cerca de 2,9 milhões de toneladas de pluma, mantendo a liderança nacional, apesar da redução da área cultivada.
As estimativas preliminares apontam queda de 5,6% na produção mato-grossense em comparação com o ciclo anterior. A retração decorre principalmente da redução de 6,5% da área plantada, movimento atribuído às dificuldades enfrentadas pelos produtores diante dos altos custos de produção e das oscilações do mercado.
Mesmo assim, a produtividade deverá apresentar avanço. A projeção é de rendimento médio de 318 arrobas de algodão em caroço por hectare, acima das 315 arrobas registradas na safra passada, o que tende a compensar parte da redução da área.
No cenário nacional, o Rally estima produção de 4,2 milhões de toneladas de pluma, volume 1,5% inferior ao registrado na temporada anterior. A área plantada no Brasil caiu 4,1%, totalizando 2,12 milhões de hectares.
As equipes técnicas percorrerão as principais regiões produtoras do Estado em duas etapas.
Entre os dias 10 e 14 de agosto, os técnicos visitarão áreas do sudeste mato-grossense, passando por Rondonópolis, Primavera do Leste, Santo Antônio do Leste e Campo Verde, encerrando o roteiro em Cuiabá com reuniões junto aos principais grupos produtores.
Na segunda etapa, entre 23 e 28 de agosto, a expedição seguirá para o oeste e o médio-norte do Estado, incluindo Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Campo Novo do Parecis, Sapezal e Campos de Júlio, regiões responsáveis por boa parte da produção nacional da fibra.
Segundo a Agroconsult, além das visitas às propriedades, serão realizadas análises por imagens de satélite para medir com precisão a área efetivamente cultivada e avaliar o desenvolvimento das lavouras.
"Utilizamos uma metodologia que combina mapeamento por satélite com diagnóstico técnico em campo para identificar produtividade, doenças, pragas e plantas daninhas", explica a coordenadora técnica da Etapa Algodão, Heloisa Melo.
As projeções indicam que o Médio-Norte de Mato Grosso consolidou sua posição como a maior região produtora de algodão do Estado e do Brasil após ampliar significativamente a área cultivada.
De forma geral, a expectativa é de boas produtividades na maior parte do território mato-grossense. A principal exceção é a região Leste, onde a irregularidade das chuvas durante o desenvolvimento das lavouras pode limitar os rendimentos.
Embora a produção brasileira recue ligeiramente nesta safra, o cenário internacional tende a favorecer a comercialização da fibra.
A Agroconsult projeta um déficit global de aproximadamente 600 mil toneladas de algodão entre agosto de 2026 e julho de 2027, resultado da redução da oferta em importantes países produtores, como Austrália, Estados Unidos e, possivelmente, China e Índia.
Problemas climáticos, como atrasos nas monções indianas e dificuldades no plantio norte-americano, também contribuem para a menor oferta mundial.
Na avaliação da coordenadora do Rally, esse desequilíbrio entre oferta e demanda poderá sustentar as cotações internacionais ao longo do próximo ciclo, beneficiando os produtores brasileiros, especialmente em estados como Mato Grosso, responsável por cerca de sete em cada dez toneladas de pluma produzidas no país.
Os resultados consolidados da expedição serão apresentados durante o Congresso Brasileiro do Algodão, marcado para o dia 22 de setembro.

Nenhum comentário