Pelo quarto ano seguido do governo Lula, Brasil bate recorde de feminicídios
País registrou 1.571 vítimas em 2025, alta de 4% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública
Sábado, 25 de julho de 2026
O Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23).
O total representa um aumento de 4% em relação a 2024 e corresponde a uma taxa de 1,4 feminicídio para cada 100 mil mulheres, consolidando a tendência de crescimento desse tipo de crime no país e confirmando o quarto recorde consecutivo do indicador.
O crescimento dos feminicídios contrasta com a redução dos demais indicadores de violência letal. Em 2025, o Brasil registrou 40.775 Mortes Violentas Intencionais, queda de 8,2% em relação ao ano anterior e a menor taxa da série histórica: 19,1 mortes por 100 mil habitantes.
O país também antecipou em dois anos a meta nacional de redução dos homicídios prevista na Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social para 2027. Ainda assim, os feminicídios e as mortes decorrentes de intervenção policial foram as únicas modalidades de mortes violentas que cresceram no período.
Para a coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Juliana Brandão, os dados mostram que a violência letal contra mulheres segue uma dinâmica diferente da violência urbana.
Enquanto os homicídios vêm caindo, as mulheres continuam morrendo por serem mulheres”, afirma.
Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Segundo ela, a violência doméstica é fortemente influenciada por fatores estruturais, como desigualdade de gênero, padrões culturais de masculinidade, controle coercitivo e fragilidades na rede de proteção, fatores que dificultam a interrupção de trajetórias de violência já conhecidas pelas instituições.
Os dados mostram que o número de mulheres assassinadas por razões de gênero vem crescendo de forma contínua. Em 2025, 44,4% de todas as mulheres assassinadas no Brasil morreram por razões de gênero, o maior percentual desde 2015, quando o feminicídio passou a integrar o Código Penal brasileiro.
O ano também foi o primeiro de vigência integral da Lei nº 14.994/2024, que retirou o feminicídio da condição de qualificadora do homicídio doloso e o transformou em um crime autônomo.
Para preservar a comparabilidade da série histórica, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública manteve os registros de feminicídio somados aos homicídios no cálculo das Mortes Violentas Intencionais.
Segundo Brandão, embora a mudança na legislação tenha contribuído para aprimorar os registros, ela não explica sozinha a alta dos casos.
Se fosse apenas uma melhoria dos registros, esperaríamos uma estabilização dos números após alguns anos.
O que observamos é um crescimento contínuo, acompanhado também pelo aumento de outros crimes relacionados à violência de gênero”, diz.
Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Ela cita, entre eles, os registros de perseguição (stalking), que cresceram 30% em 2025, e de violência psicológica, que aumentaram quase 17%.
Outro dado que chama atenção é o avanço das tentativas de feminicídio. Em 2025, 4.189 mulheres sobreviveram a tentativas de assassinato, um aumento de 5,9% em relação ao ano anterior.
O Anuário destaca que, para cada feminicídio consumado registrado no país, houve 2,7 tentativas, indicando que milhares de mulheres escaparam da morte por circunstâncias alheias à vontade do agressor e permanecem em situação de risco.

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