Número de apreensões de remédios emagrecedores em 2026 já superam o total de 2025, diz PF

Até junho deste ano, a PF apreendeu 165,5 mil canetas emagrecedoras, ampolas e frascos ilegais, mais que o dobro das 60,8 mil do ano passado


 Terça-feira, 28 de julho de 2026 

O número de apreensões pela Polícia Federal de medicamentos emagrecedores contrabandeados, sobretudo as canetas emagrecedoras, saltou em 2026 e, somente até junho, já é maior que o dobro das apreensões no ano de 2025 inteiro.

Foram apreendidos até junho 165.589 emagrecedores, canetas, ampolas e frascos —, ante 60.865 em todo o ano passado. Uma alta de 172%, segundo um levantamento inédito feito pela PF.  

O pico foi em maio deste ano, com 51.582 unidades ilegais apreendidas. O número começou a subir a partir de setembro do ano passado, segundo o levantamento da polícia.

As apreensões decorreram de fiscalizações, abordagens nas estradas e do cumprimento de mandados judiciais após investigações feitas pela PF.   

A maior parte das apreensões ocorreu no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, estados que fazem fronteira com países vizinhos, e em São Paulo, maior mercado consumidor.  

"O contrabando de medicamentos emagrecedores para o Brasil segue um padrão logístico estruturado, com entrada predominante pela fronteira terrestre com o Paraguai, especialmente na região da tríplice fronteira [Foz do Iguaçu] e em Mato Grosso do Sul, de onde os produtos são transportados por rodovias já utilizadas pelo tráfico de drogas até grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro", afirmou a PF.  

Essa rota, de acordo com a PF, é complementada por transporte aéreo, que permite o deslocamento rápido de cargas menores entre cidades, e pelo envio internacional pelo correio, que amplia a distribuição com vendas pela internet.  

"É uma cadeia híbrida que combina contrabando tradicional e logística digital para abastecer o mercado ilegal no país", descreveu a Polícia Federal.

Diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a médica Karen de Marca alerta para os riscos do consumo de medicamentos de origem desconhecida, que podem conter substância diferente da esperada ou em concentração errada.

"A nossa principal preocupação é com a composição do medicamento, se existem misturas na composição daquele produto, a concentração. 

Porque, às vezes, é [realmente] aquele produto, porém ele está numa concentração diferente, ou seja, você pode estar tomando um produto com uma dose muito mais alta do que deveria utilizar. Isso pode aumentar o risco de efeitos adversos", explica a médica.


Nenhum comentário