Com 3,5 milhões de cabeças, Mato Grosso bate o recorde histórico no abate de bovinos

Exportações crescem 39% e receita avança 64%

 Sexta-feira, 10 de julho de 2026 

Mato Grosso registrou o maior volume de abate bovino da história para um primeiro semestre.

Entre janeiro e junho deste ano, os frigoríficos do Estado abateram 3,65 milhões de cabeças, resultado 3,58% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

O desempenho foi impulsionado pela forte demanda internacional por carne bovina, especialmente da China, principal destino das exportações mato-grossenses.

Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que atribui o recorde ao aumento da procura por animais terminados e ao crescimento das exportações ao longo dos primeiros seis meses do ano.

Segundo a analista de bovinocultura de corte do Imea, Ana Eufrázio, o destaque foi o aumento do abate de machos, enquanto o envio de fêmeas aos frigoríficos começou a recuar, sinalizando uma mudança no ciclo pecuário.

"Neste primeiro semestre de 2026, Mato Grosso atingiu um volume de abates nunca visto para o período em toda a série histórica. O crescimento foi sustentado principalmente pelo aumento do abate de machos e pela redução do abate de fêmeas", afirma.

Do total abatido, 1,81 milhão de animais eram machos, alta de 13,05% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o abate de fêmeas caiu 4,26%, totalizando 1,85 milhão de cabeças.

De acordo com a analista, a retração no envio de matrizes aos frigoríficos demonstra que os pecuaristas começam a recompor os rebanhos após anos de descarte elevado.

"A reposição voltou a ser mais atrativa e muitos produtores passaram a reter matrizes para aumentar o plantel, caracterizando a mudança do ciclo pecuário", explica. 

EXPORTAÇÕES RECORDE 

O desempenho dos frigoríficos foi acompanhado por um crescimento histórico das exportações.

No primeiro semestre, Mato Grosso embarcou 511,75 mil toneladas de carne bovina em equivalente carcaça (TEC), volume 38,76% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Em receita, as vendas externas alcançaram US$ 2,41 bilhões, crescimento de 63,82%.

Segundo o Imea, a China respondeu por mais da metade das exportações estaduais e foi o principal fator para o avanço tanto dos embarques quanto dos abates.

"O aumento da demanda dos frigoríficos, principalmente por parte do mercado chinês, foi determinante para os recordes registrados neste primeiro semestre", destaca Ana Eufrázio.

Outro fator que contribuiu para o resultado foi a antecipação das exportações antes do esgotamento da cota de importação chinesa.

Como as compras realizadas dentro da cota são isentas da sobretaxa de 55%, frigoríficos aceleraram os embarques para aproveitar as condições mais favoráveis de comercialização.

Com o preenchimento da cota chinesa, o mercado começou a perder força no fim de junho.

Segundo levantamento do Imea, o indicador do boi gordo a prazo recuou 2% na última semana do mês, equivalente a uma queda de R$ 6,62 por arroba. O movimento reflete a redução da demanda das plantas exportadoras e uma acomodação natural após as fortes valorizações observadas durante o semestre.

A expectativa do Imea é de que as exportações para a China diminuam no terceiro trimestre em razão da incidência da sobretaxa sobre novos embarques, o que poderá pressionar as cotações da arroba.

Apesar disso, a oferta restrita de animais terminados deve impedir quedas mais acentuadas dos preços.

A projeção é de retomada do mercado a partir da segunda quinzena de outubro, quando frigoríficos começam a planejar os embarques destinados à nova cota chinesa de importação para 2027.

"O cenário de forte demanda externa e da corrida para atender à cota chinesa explica os recordes de abate e exportação registrados neste primeiro semestre. A expectativa é de que o mercado volte a ganhar força no último trimestre do ano", conclui Ana Eufrázio.


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