Chuvas atrasam colheita, mas safra recorde é mantida em MT
Excesso de umidade e frio retardam início dos trabalhos e preocupam produtores com a qualidade da fibra
Quinta-feira, 09 de julho de 2026
As chuvas registradas no fim de junho atrasaram o início da colheita do algodão em Mato Grosso e aumentaram a preocupação dos produtores com a qualidade da fibra.
Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o excesso de umidade e as baixas temperaturas levaram muitos cotonicultores a adiar a entrada das máquinas nas lavouras para evitar perdas.
As precipitações ocorreram justamente no período em que parte das áreas já estava pronta para a colheita.
A situação foi agravada pela passagem de uma massa de ar polar que reduziu as temperaturas em diversas regiões do Estado.
Em Rondonópolis (212 km ao Sul de Cuiabá), os termômetros chegaram a 14,7°C, enquanto em Sorriso (420 km ao Norte) a mínima foi de 17,9°C.
De acordo com a analista de mercado do Imea, Cintia Teixeira, o ritmo da colheita está abaixo do esperado.
"Observamos uma colheita bastante lenta em função das chuvas registradas nas últimas semanas. Além do atraso, existe preocupação com a qualidade da fibra e com o aumento do risco de apodrecimento dos capulhos, principalmente nas partes mais baixas das plantas", explica.
Até o momento, apenas as regiões Nordeste e Sudeste de Mato Grosso iniciaram a retirada da pluma.
CLIMA E COLHEITA
A previsão para as próximas semanas é mais favorável ao trabalho no campo.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), ainda poderão ocorrer chuvas isoladas sobre Mato Grosso, mas com intensidade inferior à registrada no fim de junho.
Para o Imea, a redução das precipitações deve acelerar a colheita e diminuir os riscos de perda na qualidade da fibra.
RECORDE
Apesar do atraso provocado pelo clima, as perspectivas para a safra seguem positivas.
No relatório divulgado em junho, o Imea elevou a estimativa de produtividade para 304,02 arrobas por hectare, alta de 2,13% em relação à projeção anterior.
Com isso, Mato Grosso deve colher 6,27 milhões de toneladas de algodão em caroço na safra 2025/26, o maior volume da história do Estado.
COMERCIALIZAÇÃO
Mesmo antes do avanço da colheita, boa parte da produção já foi negociada.
Segundo o Imea, 71,86% da safra 2025/26 foi comercializada antecipadamente, refletindo a confiança do mercado na produção estadual.
Já as vendas da safra 2026/27 seguem em ritmo mais lento.
Até junho, apenas 23,21% da produção prevista para o próximo ciclo havia sido negociada, em meio às incertezas do mercado internacional e às expectativas em relação ao comportamento dos preços.
SAFRA EM NÚMEROS
- 6,27 milhões de toneladas de algodão em caroço previstas;
- 304,02 arrobas por hectare de produtividade estimada;
- 71,86% da safra 2025/26 já comercializada;
- 23,21% da safra 2026/27 negociada antecipadamente;
- Chuvas e frio retardaram o início da colheita em diversas regiões do Estado.

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