Wellington vê risco de invasão ao Brasil após EUA classificarem PCC e CV como terroristas

Parlamentar alerta para efeitos que podem ultrapassar o combate ao crime organizado

 Domingo, 07 de junho de 2026 

O senador Wellington Fagundes (PL) afirmou na última sexta-feira (5) que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode gerar reflexos para o Brasil e precisa ser analisada com cautela pelas autoridades nacionais.

Ao comentar o assunto, o parlamentar demonstrou preocupação com os possíveis desdobramentos da medida adotada pelo governo do presidente Donald Trump. Segundo ele, a nova classificação pode até resultar em consequências relacionadas à soberania brasileira.

“Realmente, nós temos e poderemos ter consequências, inclusive, de invasão no país, com o país perdendo a sua autonomia. Quando é um país terrorista, isso pode acontecer”, afirmou.

A determinação do governo norte-americano passou a valer nesta sexta-feira e integra uma estratégia voltada ao enfrentamento de organizações criminosas que atuam além das fronteiras de seus países de origem.

Questionado sobre ser favorável ou contrário ao enquadramento das facções brasileiras como grupos terroristas, Wellington evitou manifestar apoio ou rejeição à medida. Em vez disso, defendeu que o tema seja amplamente debatido pelas instituições responsáveis pela política externa e pelas relações internacionais do Brasil.

“Isso tem que ser muito bem discutido com o Ministério das Relações Exteriores, e acredito que a Comissão de Relações Exteriores precisa discutir isso, inclusive, com a sociedade. As consequências podem existir”, declarou.

Durante a entrevista, o senador também comentou posicionamentos relacionados ao combate ao crime organizado em Mato Grosso e criticou a ideia de transferir para forças federais a responsabilidade principal pela segurança pública no estado.

Para Wellington, embora a participação da Força Nacional possa ser necessária em situações específicas, a obrigação de estruturar e fortalecer o sistema de segurança cabe ao governo estadual.

“Quem tem que ter a solução da segurança do Estado é o Estado. A Força Nacional vem intervir quando acontece uma situação dessa, mas sua atuação é temporária. Quem tem que contratar policiais, valorizar o policial e melhorar a condição de vida da família do policial é o Estado de Mato Grosso”, disse.

Os Estados Unidos justificaram a classificação do PCC e do Comando Vermelho alegando que as atividades das facções ultrapassam o território brasileiro e alcançam outros países, incluindo os próprios EUA. Segundo o governo norte-americano, o enquadramento busca ampliar os mecanismos de combate a organizações criminosas com atuação transnacional.


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