PT escala sobrinho de Dilma Rousseff para coordenar ataques e fake news contra Flávio Bolsonaro na internet

A intenção da sigla é tentar equilibrar a disputa com ataques e plantações de fake-news numa área importante para o processo eleitoral

 Domingo, 07 de junho de 2026 

De acordo com levantamentos feitos por empresas especializadas, a narrativa difundida pelo governo, de que o Brasil foi mais uma vez prejudicado pelos Estados Unidos por influência da família Bolsonaro, desta vez prevaleceu sobre a da oposição. 

O resultado foi comemorado pelo PT, particularmente pelo vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff, conhecido por criar fake news nas redes sociais, escalado para coordenar a estratégia do partido nas redes sociais durante a campanha eleitoral. “Dentro  de uma guerra, cada um tem uma função, e a minha é ser o soldado de frente”, diz o sobrinho-neto da ex-presidente Dilma Rousseff, que ataca os adversários do PT sem medir palavras e se preocupar com o tamanho das inverdades que solta nas redes. 

Desde que foi eleito em 2024, Pedro vinha atuando como consultor do governo sobre intervenções digitais em momentos de crise, combatendo  as informações que enfraquecem o governo, sempre com criações de fake news e ataques a opositores. 

No início do ano, ele foi chamado para uma reunião com o presidente Lula no Palácio do Planalto, onde estavam também a primeira-dama Janja da Silva e o ministro Sidônio Palmeira, chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência. Elogiado pela “irreverência e combatividade", o vereador foi convidado para “fazer na internet tudo aquilo que Lula não poderá fazer”, segundo as próprias palavras de Pedro Rousseff.

A missão dele é alinhar suas redes sociais, que têm cerca de 2 milhões de seguidores, com as do PT não só para fazer frente à oposição, mas também para unificar a ação e o discurso da militância na internet. 

Em 2022, essa tarefa foi confiada ao deputado André Janones (Rede-MG), que acabou se envolvendo em uma série de confusões e perdeu o posto após as notícias de que havia confiscado o salário dos funcionários de seu gabinete, esquema conhecido como rachadinha. 

Caberá agora ao sobrinho-neto de Dilma, além de responder aos ataques virtuais, proteger e defender Lula. “O presidente, em certos casos, precisará ignorar o adversário e ter pessoas como eu, que atuem para colocar as coisas no lugar em nome dele”, explica o vereador. “A estratégia é deixar Lula focado em fazer entregas, em anunciar investimentos, em dar notícias boas sempre que possível (Se é que depois de 20 anos Lula consiga dar boas notícias). Quem tem que ir para o combate, para o bate-boca, para o enfrentamento sou eu. É para isso que fui escalado”, acrescenta. 

Rousseff criou um grupo de Whats­App com mais de 400 influenciadores alinhados ao governo através dos quais pretende difundir conteúdos e repassar orientações sobre estratégias que a militância deve seguir no embate nas redes sociais. 

O grupo foi batizado de “guerrilha”. “Apareceram informações, críticas ou qualquer coisa que prejudica o presidente, a gente entra em campo”, ressalta o vereador de 26 anos. 

Rousseff passou pelo teste após o anúncio do governo americano de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida amplamente elogiada pela oposição nas redes sociais. A “guerrilha” impulsionou discursos e manifestações de governistas sobre a suposta ameaça à soberania que representava a decisão dos Estados Unidos, embora seja uma fake news contra Flávio, haja visto que a classificação das facções ocorreu contra o governo Lula, que se colocou em defesa das facções.

Segundo o levantamento da Palver, mais de 59% das mensagens monitoradas pela empresa eram desfavoráveis à decisão. “As pessoas são contra a intervenção americana, a ameaça que é difundida pelos grupos de esquerda”, avalia Luis Fakhouri, um dos responsáveis pela consultoria. Ou seja: a ação da “guerrilha”, de novo, no entendimento dos articulistas, foi bem-sucedida, com mentiras propagadas pelo garoto propaganda do PT.

Histórico de calúnias, mentiras e incentivo à violência contra adversários

Pedro Rousseff já se envolveu em diversas situações por atuar com fake news e ataques levianos contra adversários do PT, como Deltan Dallagnol, Nikola Ferreira e Pablo Marçal. 

Um exemplo recente, e noticiado até pela imprensa governista, foi a mensagem na qual o vereador afirmou, com letras maiúsculas e exclamações triunfantes, que “Quem ACABOU com a GUERRA em Gaza chama-se LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA!”. 

Para “provar” sua tese, Pedro montou uma espécie de equação política: “Trump AJUDOU a financiar a GUERRA = Lula FEZ O ACORDO pela PAZ!”. A bravata, claro, foi desmentida — mas virou um símbolo do estilo hiperbólico e fantasioso do jovem petista para aqueles que ainda não o conheciam. 

Em outra publicação, ele calculou que 59 milhões de brasileiros viajariam de avião durante as férias e gastariam, no total, R$ 149 milhões — um custo médio de R$ 2,52 por pessoa. O erro grotesco rendeu piadas, memes e comentários sobre Pedro ter “aprendido matemática com a Dilma” (aliás, muitos o chamam pelo apelido de “Dilmo” e comparam sua capacidade intelectual com a da presidente impedida). 

No final do ano passado, ao celebrar o aumento do salário mínimo, Pedro Rousseff afirmou que o reajuste representava “7,5% acima da inflação”, quando o ganho real era de pouco mais de 2%. A publicação foi corrigida por agências de checagem e ganhou uma “nota da comunidade” no X (recurso em que os usuários da plataforma contestam posts e adicionam informações). 

Seu gosto por teorias apressadas, para dizer o mínimo, o levou a associar a suspensão do TikTok nos Estados Unidos à “volta de Trump ao poder” — a medida, no entanto, foi aprovada durante o governo de Joe Biden. 

Rousseff também tentou transformar uma disputa interna sobre o Benefício de Prestação Continuada (BPC) em uma bandeira contra a oposição. Segundo ele, a “extrema-direita no Congresso trabalhou para retirar esses direitos” — o projeto citado, no entanto, era de autoria de um deputado petista, José Guimarães (CE), líder do governo na Câmara. 

Houve ainda o episódio da “crise do Pix”, quando o vereador disse que “as mentiras da direita” haviam derrubado em 40% as transações pelo sistema em 24 horas — um número sem qualquer lastro em dados oficiais. 

“Cadeirada” em Nikolas Ferreira 

Mas as mensagens compartilhadas por Pedro Rousseff não ficam apenas no campo do exagero. Algumas delas se tornaram processos judiciais. 

Como o caso da pastora Daniela Linhares, da Igreja Batista Getsêmani, acusada por Pedro de receber dinheiro público em troca de apoio político ao governador Romeu Zema (Novo-MG). A Justiça o condenou por difamação e injúria e determinou o pagamento de R$3 mil em compensação por danos morais, além da remoção das publicações que citava a religiosa. 

Segundo Rousseff, ele foi “perseguido judicialmente” por Daniela, que abriu vários processos para intimidá-lo. “Mas eu não tenho medo, e vocês podem ter certeza de que não vou parar de denunciar as falcatruas da extrema direita em Belo Horizonte”, afirmou.

Pablo Marçal, empresário e ex-candidato a prefeito de São Paulo, também moveu uma ação contra o petista. Marçal pede R$ 100 mil por danos morais, alegando que Pedro disseminou “informações inverídicas” nas redes sociais sobre sua atuação no Rio Grande do Sul após as enchentes que atingiram o estado.

O dado curioso é que Marçal ajuizou, por engano, a ação contra o pai do vereador, também chamado Pedro Rousseff — o que acabou paralisando o processo. O parlamentar, no entanto, afirma que não se tratou de um erro, e sim de uma tentativa de coação contra sua família. 

O vereador ainda foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais por incitação ao crime, após declarar que “daria uma cadeirada” no deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A denúncia foi motivada por uma queixa formal apresentada pelo próprio Nikolas. 

Segundo o MP, Pedro ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao estimular comportamentos violentos. O órgão chegou a propor um acordo de prestação de serviços comunitários por três meses, mas Rousseff o recusou (e o caso segue para julgamento em Belo Horizonte). 



Nenhum comentário