Candidato de direita apoiado por Trump vence esquerdista, apoiado por Lula na Colômbia

Ultradireitista promete endurecer combate a grupos armados, reaproximar Bogotá de Washington e reduzir o tamanho do Estado

 Segunda-feira, 22 de junho de 2026 

O advogado ultradireitista Abelardo de la Espriella venceu neste domingo a eleição presidencial da Colômbia e derrotou o senador de esquerda Iván Cepeda, herdeiro político do presidente Gustavo Petro. 

Com apoio declarado do líder americano, Donald Trump, Espriella chega ao poder prometendo uma guinada na política de segurança, conduzindo uma ofensiva contra grupos armados e narcotraficantes, além de uma agenda econômica de redução de impostos e do tamanho do Estado.

— Esse apoio histórico nos enche de gratidão, mas também de uma enorme responsabilidade. Hoje começa uma nova etapa para nosso país, uma etapa construída sobre a vontade livre e democrática de milhões de cidadãos que decidiram acreditar em uma Colômbia grande, segura, próspera e cheia de oportunidades, disse Espriella após o resultado. Com a ajuda de Deus e o trabalho de todos os colombianos, a Pátria Milagre será uma realidade.

O presidente Lula declarou apoio ao senador de esquerda Iván Cepeda, candidato governista apoiado pelo atual presidente colombiano, Gustavo Petro, derrotado neste domingo. O apoio estratégico de Lula também fez parte da aliança do governo brasileiro para manter a influência de líderes de centro-esquerda na América do Sul, o que não tem ocorrido nas últimas eleições de países Sul-americanos, havendo derrota da esquerda em todos. 

A vitória Espriella nas Urnas encerra uma das eleições mais polarizadas da história recente da Colômbia. Espriella venceu com 49,65% dos votos, contra 48,70% de Cepeda, em uma eleição acompanhada de perto internacionalmente após o apoio de Trump ao advogado e as críticas do presidente americano a Cepeda, a quem chamou de “marxista radical de esquerda”. 

Esta é a segunda disputa de segundo turno mais apertada da história da Colômbia e a que registrou a maior participação de eleitores desde 1998. 

A ex-candidata à Presidência Paloma Valencia felicitou Espriella e seu companheiro de chapa, José Manuel Restrepo. Em publicação no X, ela escreveu: “Que Deus guie seus passos e permita que a Colômbia siga um caminho de progresso baseado em um Estado pequeno, na liberdade como princípio do desenvolvimento econômico e no bem-estar social para todos e cada um dos cidadãos”.

O presidente da Argentina, Javier Milei, foi um dos primeiros líderes a parabenizar o advogado. Também em publicação nas redes, o argentino afirmou: “Hoje, a maioria dos colombianos escolheu o caminho da liberdade econômica, da prosperidade, da segurança inabalável e disse BASTA ao crime organizado transnacional e ao narcotráfico”.

A equipe de Espriella compartilhou com alguns veículos de comunicação um vídeo no qual ele afirma já ter conversado com Trump, que, segundo disse, “manifestou seu apoio e seu reconhecimento à nossa vitória”. Ele também teria conversado com o chefe de gabinete da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

Em público, o candidato recebeu o apoio do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que afirmou que "os melhores dias da Colômbia ainda estão por vir", e do presidente do Chile, José Antonio Kast, que celebrou a vitória de Espriella como "uma nova etapa de liberdade" para o país. Santiago Peña, do Paraguai, declarou que o resultado representa "um sinal de esperança para aqueles que acreditam na democracia, liberdade e no desenvolvimento como caminho".

Espriella construiu sua candidatura sobre a promessa de combater com mão dura guerrilhas e organizações ligadas ao narcotráfico, defendendo megapresídios, retomada da exploração de petróleo e maior aproximação com Washington. Cidadão americano e filiado ao Partido Republicano, o advogado recebeu aprovação de Trump, que sinalizou que as relações entre os dois países melhorariam “significativamente” com sua vitória.

Cepeda, por sua vez, apostou na continuidade da agenda de Petro, com programas sociais, redistribuição de terras e negociações com guerrilhas e organizações criminosas para alcançar a chamada “Paz Total”. Ele, que contou com forte apoio entre colombianos de baixa renda, além de negros e indígenas, afirmava que aumentaria os impostos sobre os mais ricos e redistribuir terras para pequenos agricultores.

Vencedor, Espriella votou usando a camisa da seleção colombiana de futebol, cercado por centenas de apoiadores vestidos da mesma forma, que gritavam “Fora, Petro!” em Barranquilla, seu principal reduto político. Em declaração à imprensa, ele, que se autodenomina “O Tigre”, disse que veio para “mudar a política para sempre”, definindo a votação deste domingo como “a mais importante da história da Colômbia”.

Reação nos EUA

Algumas das promessas de campanha de Espriella lembram políticas adotadas por outros líderes de direita da América Latina, como Nayib Bukele, de El Salvador, e Javier Milei, da Argentina. Sua plataforma inclui a construção de dez megapresídios, a redução do tamanho do Estado e a cooperação com os EUA no combate ao narcotráfico.

Ele também é conhecido por recorrer à Justiça contra seus adversários, incluindo jornalistas. Depois de receber o apoio de Trump e de alguns parlamentares republicanos, Espriella passou a afirmar que perseguiria qualquer pessoa que o desafiasse com ajuda dos EUA.

Na semana passada, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, divulgou um memorando afirmando que a atuação do ativista Beto Coral, residente no Arizona, interferia na política externa americana, após ele criticar o então candidato. Coral, de 40 anos, foi detido por autoridades de imigração dos EUA na terça-feira, medida que foi condenada por democratas no Congresso e por organizações de direitos humanos.

— O que me preocupa é a polarização que existe entre nós: há dois lados muito extremos, e a violência é preocupante, disse à AP o advogado John Manrique, morador de Bogotá. O que espero é que as pessoas aceitem quem vencer. (Com AFP, Bloomberg e New York Times)


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