Nordeste deixa de ser reduto garantido e expõe desgaste de Lula
Levantamento aponta redução da diferença entre aprovação e desaprovação na região e indica avanço da rejeição em meio a pressões econômicas
Terça-feira, 26 de maio de 2026
A região Nordeste, tradicional principal reduto eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registra uma mudança gradual no humor do eleitorado, segundo levantamento da Genial/Quaest. De acordo com os dados mais recentes, a aprovação do governo caiu para 52%, enquanto a desaprovação chegou a 46%, reduzindo a diferença entre os dois índices ao menor patamar da série histórica da pesquisa.
Em períodos anteriores, a vantagem da aprovação no Nordeste já chegou a ser mais que o dobro da desaprovação, cenário que começou a se alterar a partir de outubro do ano passado, quando a rejeição passou a crescer de forma mais consistente.
Apesar da erosão gradual, o Nordeste ainda sustenta índices relativamente mais favoráveis ao governo em comparação com outras regiões. Na rodada de abril, a aprovação chegou a 63%, patamar que se manteve estável em maio, enquanto a avaliação negativa oscilou de 42% para 39%. Ainda assim, analistas apontam que a tendência indica convergência com a média nacional.
A leitura dos dados sugere uma perda de força do chamado “efeito amortecedor” da região, historicamente decisivo para o desempenho eleitoral de Lula em disputas presidenciais. Quanto mais os números nordestinos se aproximam dos registrados no restante do país, menor tende a ser a vantagem estratégica do petista em cenários eleitorais mais apertados.
Entre os fatores associados ao desgaste estão a percepção de alta no custo de vida e a inflação de alimentos. Em todas as capitais brasileiras, a cesta básica registrou aumento em abril, com impacto mais sensível no Nordeste, onde a renda média é menor e a parcela do orçamento destinada à alimentação é maior. O preço dos combustíveis também aparece como elemento de preocupação, especialmente em cidades de médio porte.
O levantamento também aponta mudanças no perfil da avaliação do governo entre grupos específicos do eleitorado. Jovens, católicos, eleitores de baixa escolaridade e pretos e pardos aparecem entre os segmentos onde a percepção negativa avançou. Pela primeira vez, parte desses grupos registra avaliação desfavorável ao governo.
Outro ponto destacado é o avanço da insatisfação entre eleitores evangélicos, que apresentam 68% de reprovação ao governo. O grupo, que já vinha ampliando sua participação no cenário político nacional, também influencia o comportamento eleitoral em regiões como o Nordeste.
No recorte geracional, a juventude nordestina aparece como um dos segmentos mais voláteis, com parte do eleitorado migrando para posições de oposição ou optando pela abstenção, segundo analistas que acompanham a série histórica das pesquisas.
A combinação entre pressão econômica, mudança de percepção entre grupos sociais e maior disseminação de informação política por redes sociais ajuda a explicar a reconfiguração gradual do cenário no Nordeste, que, embora ainda favorável ao governo em termos gerais, já não apresenta a mesma margem de vantagem observada em ciclos eleitorais anteriores.

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