Aprosoja MT reforça atuação permanente por melhorias na energia rural em Mato Grosso

Entidade participou de agendas sobre investimentos no sistema trifásico e levou à ANEEL demandas do setor produtivo sobre a qualidade da energia no campo

 Domingo, 31 de maio de 2026 

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) participou, nesta quinta-feira (28.05), de duas agendas estratégicas voltadas à melhoria da energia rural em Mato Grosso. A entidade acompanhou o evento de assinatura da parceria entre o Governo do Estado e a Energisa para ampliação do sistema trifásico e também esteve reunida com representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), em Brasília, para tratar da qualidade do fornecimento e da necessidade de adequações regulatórias para o campo.

No Palácio Paiaguás, em Cuiabá, a entidade acompanhou a assinatura da parceria que prevê investimento de R$ 1,5 bilhão entre 2026 e 2030, sendo R$ 750 milhões do Governo de Mato Grosso e R$ 750 milhões da concessionária. A iniciativa tem foco em assentamentos, zona rural, distritos e pequenos e médios produtores.

Para o diretor administrativo da Aprosoja MT e coordenador da comissão de Política Agrícola, Diego Bertuol, o anúncio representa um passo importante para a infraestrutura elétrica rural e que a dimensão territorial de Mato Grosso e o déficit histórico no campo exigem acompanhamento permanente da execução do projeto e dos critérios de aplicação dos recursos.

"Em um estado com forte presença de agricultura tecnificada, que depende de fornecimento estável para irrigação, armazenagem, beneficiamento, industrialização e outras tecnologias produtivas, será fundamental avaliar se a ampliação chegará aos municípios e regiões com maior necessidade de atendimento", complementa ele.

Bertuol destaca ainda que a expansão da rede trifásica é medida necessária diante das limitações da rede monofásica, ainda predominante em muitas localidades e insuficiente para atender às exigências atuais da produção agropecuária.

“A precariedade do sistema, marcada por oscilações, quedas de energia e baixa capacidade de carga, compromete novos investimentos, reduz a eficiência operacional e aumenta os riscos nas propriedades. Por isso, a aplicação dos recursos deve estar vinculada a metas claras, melhoria efetiva do serviço, fiscalização dos compromissos assumidos e critérios que priorizem áreas com maior deficiência de infraestrutura”, ressaltou o coordenador da comissão de Política Agrícola, Diego Bertuol.

A delegada coordenadora do Núcleo de Nova Mutum, Daiana Costa Beber, conta que esse investimento representa uma importante oportunidade para fortalecer a infraestrutura elétrica de Mato Grosso. “É fundamental que os investimentos previstos se traduzam efetivamente em melhorias na qualidade do fornecimento, garantindo maior confiabilidade, estabilidade e capacidade de atendimento para os diversos setores produtivos e para a população”, complementa Daiana.

Para a delegada coordenadora, mais do ampliar a rede elétrica, o desafio é assegurar que os recursos aplicados resultem em uma energia de melhor qualidade, capaz de acompanhar o desenvolvimento do agronegócio, da indústria, do comércio e das cidades mato-grossenses.

“O sucesso do MT Trifásico será medido pela sua capacidade de atender às necessidades atuais e futuras do Estado, contribuindo para sustentar o crescimento econômico e promover mais competitividade, produtividade e qualidade de vida para os mato-grossenses”, finaliza Daiana Costa Beber.

Ainda nesta quinta-feira, em Brasília, a Aprosoja MT participou de reunião com representantes da ANEEL. Na ocasião, foram apresentadas demandas relacionadas à qualidade do fornecimento em Mato Grosso e à necessidade de medidas regulatórias que considerem as particularidades da atividade agropecuária.

Durante o encontro, foi destacado que os indicadores utilizados atualmente pela agência refletem, em grande parte, a realidade urbana e não retratam de forma adequada os problemas enfrentados nas propriedades rurais. Interrupções, oscilações, baixa qualidade da energia e demora no atendimento podem comprometer diretamente a produção, a segurança e o funcionamento de equipamentos essenciais.

Foi apontada, ainda, a importância de a regulação considerar fatores como a distância das propriedades, a dispersão das unidades consumidoras, a dependência crescente de tecnologias produtivas e os prejuízos econômicos decorrentes de falhas no fornecimento.

A ANEEL demonstrou abertura ao diálogo e ressaltou a importância da aproximação com entidades representativas para melhorar a comunicação com os produtores e construir soluções compatíveis com a realidade rural.

"A energia rural deixou de ser apenas uma demanda de infraestrutura e passou a ser condição básica para a continuidade e a modernização da atividade agropecuária. Mato Grosso precisa de fornecimento estável, rede adequada e regulação que considere as especificidades do campo”, enfatizou o diretor administrativo da Aprosoja MT e coordenador da comissão de Política Agrícola, Diego Bertuol.

A Aprosoja MT seguirá acompanhando a execução dos investimentos, a revisão regulatória e os compromissos relacionados à qualidade do serviço, defendendo que o setor produtivo tenha acesso a uma infraestrutura elétrica compatível com a importância econômica, social e produtiva da agropecuária mato-grossense.


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