Animais invadem casas e impõem medo em comunidade ribeirinha de Cuiabá

Macacos buscam alimento nas residências próximas à beira do Rio Cuiabá, mas também tem animais peçonhentos

 Segunda-feira, 11 de maio de 2026 

Na tradicional comunidade São Gonçalo Beira-Rio - região do Coxipó da Ponte -, um dos pontos de turismo histórico e gastronômico mais importantes de Cuiabá, a rotina de muitos moradores está mudando com a “invasão” de animais.

Os macacos, que antes eram presença pacífica e em menor número, começam a impor medo.

A frequência de animais peçonhentos nos ambientes domésticos, especialmente cobras, também aumentou e preocupa os moradores.

Nas margens do Rio Coxípo, um dos afluentes do Rio Cuiabá, a reportagem identificou dezenas de condomínios verticais em construção.

A comunidade São Gonçalo Beira-Rio é banhada pelos dois rios.

Começa sendo banhada pelo Coxipó; depois, a partir do ponto de deságua desse rio, se estabelece à margem do Rio Cuiabá.

Há moradores que acreditam que a urbanização da região, com construções perto de áreas de mata ciliar, pode ter a ver com esse aumento de animais nos ambientes domiciliares.

“Moro aqui há 26 anos, nunca havia visto tantos animais em nossa casa”, diz Paulo Sérgio Pedro de Barros.

Ele explica que quando se mudou para a comunidade, em 2000, atraído pelo desejo de constituir família em meio à natureza e tranquilidade, vez ou outra, bichos como macacos se aproximavam de sua casa.

“Olha, os macacos agora tomaram conta daqui de casa. Os bichos são bonitinhos, mas nos impõem medo”, confessa ele.  

 "Eles chegam com fome, comendo de tudo que encontram. Banana, então, comem mais que a gente", observa Paulo, que mora com a mulher e dois filhos. 

“Também já vimos vários tatus correndo por aqui no quintal, sem falar que direto a gente encontra capivaras mortas atropeladas na avenida”, observa Paulo Sérgio.

“Tem prédios sendo construídos por todos os lados. O ser humano invadiu tudo. Que tristeza”, lamenta ele.

Na casa vizinha à de Paulo, da moradora Dadá Pereira, os macacos chegam em bando de cinco ou mais.  

Dias atrás, ela e a irmã fizeram uma série de vídeos registrando a invasão.

Um dos vídeos mostra a chegada de cinco macacos, um deles trazendo um filhote agarrado ao corpo.

Elas também já tiveram de pedir ajuda ao Corpo de Bombeiros para resgatar uma cobra, que estava enrolada em um vaso de planta na beira da piscina.

Os registros de vídeos e fotos feitos por moradores mostram os bichos dentro e no quintal das casas.

“Um macaco, desses maiores, pegou um vidro de biscoitos da mesa e pulou para o telhado”, conta Dadá Pereira.

“Logo depois, enquanto tentava seguir saltando galhos das árvores, deixou o vidro cair”, conta ela.

A reportagem procurou a Prefeitura de Cuiabá para abordar o tema.

Quis saber, primeiro, se é do conhecimento da gestão municipal o aumento da presença de animais nas casas da comunidade ribeirinha.

Também questionou sobre o cumprimento das exigências legais para construções na região.  

E, por último, se no Horto Florestal, que fica à margem do Rio Coxipó, a menos de 1 km da comunidade, há área de vegetação, oferta de alimentos e abrigo para animais que vivem no local e seu entorno.

Em nota, a Prefeitura respondeu, por meio da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, especificamente sobre o Horto.

Em um dos trechos, diz: “Os animais que compõem a fauna do espaço são bem servidos de alimentos típicos do habitat natural, como frutos, folhas e raízes para os roedores”.

Mais adiante, escreveu: “São mantidas árvores frutíferas para atender as diversidades de espécies e não é cedida alimentação extra devido às recomendações para preservação de seus hábitos naturais”.

Disse ainda que, no local, há abundância e acesso fácil  à água, sem a necessidade de os animais buscarem fora do Horto Florestal.

Concluindo, informou que, em virtude da incidência de animais transitando nas proximidades, há estudos, para projetos futuros, dentro da proposta macro de requalificação do Horto Florestal, construir passagens subterrâneas e aéreas em avenidas.


 Com: Diário de Cuiabá 


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