Manifesto do PT ignora corrupção e defende socialismo democrático no Brasil

 Segunda-feira, 27 de abril de 2026 

Com quase 3.500 palavras, plataforma petista para a reeleição de Lula defende reformas estruturais que fortaleçam o Estado como indutor do crescimento.

Com quase 3.500 palavras, o manifesto divulgado pelo PT no fim de semana não cita a corrupção entranhada nas esferas de poder em nenhum trecho da longa coreografia criada para justificar os desafios e dificuldades de Lula no atual governo.

Quando terminar o atual mandato, Lula terá governado o Brasil por 12 anos. Dilma Rousseff esteve no Palácio do Planalto por 5 anos e 8 meses. São quase duas décadas de domínio petista na máquina estatal. O fato de os brasileiros ainda viverem num país empobrecido e dependente de benefícios sociais, com péssimos serviços públicos e uma das máquinas públicas mais caras do mundo se deve, segundo o manifesto, ao “esgotamento do modelo neoliberal”.  

“Vivemos uma mudança de época, marcada pela crise do capitalismo neoliberal e pela crescente desordem global. Nessa conjuntura, se sobrepõem crises estruturais que atingem o sistema capitalista, a ordem internacional, as democracias liberais e as próprias condições de vida no planeta”, diz o PT. 

O governo Lula tem mais de 3 milhões de brasileiros na fila do INSS. 

As estatais agonizam com prejuízos bilionários.

A roubalheira no INSS vitimou mais de 5 milhões de aposentados e já custou mais de 3 bilhões de reais dos cofres públicos no ressarcimento do dinheiro roubado por entidades sindicais.

Os gastos com cartão corporativo e as viagens internacionais da cúpula do poder consomem fatias bilionárias do orçamento. 

Nada disso é citado pelo petismo como causa do distanciamento dos eleitores brasileiros da esquerda. O avanço de discursos de oposição ao petismo se dá por “ressentimento popular” e “negacionismo”.

“A experiência brasileira demonstra que não há democracia sustentável sem a efetiva transformação material da sociedade. Sem a redistribuição real de renda, de poder e de oportunidades, a frustração social se aprofunda e corrói a confiança nas instituições. É esse vácuo de esperança que se torna terreno fértil para a ofensiva autoritária da extrema-direita, que captura o ressentimento popular ao oferecer falsas soluções regressivas para problemas que são, na essência, estruturais”, diz o manifesto.

O atual governo elevou a patamares inéditos os meios de cobrança de impostos, inflando a arrecadação da máquina federal para permitir que Lula gastasse mais. Endividada, a maioria dos brasileiros ganha pouco, vive em trabalho precário e não consegue encher um carrinho no supermercado, devido ao avanço dos preços carreados pela gastança estatal e fatores externos.

O petismo ignora essas questões e credita a falta de gratidão dos brasileiros com a esquerda à ocorrência de uma certa “crise civilizatória”. A solução apontada pelo petismo para Lula reconstruir o país num quarto mandato é implementar reformas estruturais no Brasil com foco no socialismo democrático.

“As reformas estruturais que o Partido dos Trabalhadores propõe devem ser compreendidas como parte de um projeto nacional de desenvolvimento, orientado por objetivos estratégicos claros – tendo como horizonte programático o socialismo democrático e sustentado por uma correlação de forças capaz de enfrentar privilégios historicamente consolidados”, diz o petismo. 

O que impede o brasileiro de reconhecer as maravilhas feitas por Lula no atual mandato, segundo o PT, é a “desinformação mediada por plataformas digitais e pela manipulação política do medo”.

Íntegra do manifesto pode ser lida na revista VEJA

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