Guerra ao garimpo ilegal desativa mil acampamentos clandestinos na Sararé-MT

Ministério da Defesa diz que prejuízo estimado às organizações criminosas ultrapassa R$ 700 milhões

 Domingo, 05 de abril de 2026 

Desde 2023, o combate ao garimpo ilegal resultou na desativação de aproximadamente mil acampamentos clandestinos na Terra Indígena Sararé - localizada entre os municípios de Pontes e Lacerda e Conquista D’Oeste (445 e 451 km, respectivamente, a Oeste de Cuiabá).

No mesmo período, o prejuízo estimado às organizações criminosas ultrapassa R$ 700 milhões.

Atualmente, cerca de 4.200 hectares já foram impactados pela exploração ilegal de ouro, conforme dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão do Ministério da Defesa.

A atividade tem provocado desmatamento, contaminação de cursos d’água e degradação ambiental.

Para conter, desde 25 de março deste ano, o Governo iniciou a uma nova operação de desintrusão na Sararé, com o objetivo de retirar garimpeiros ilegais e desmantelar estruturas utilizadas na exploração clandestina de ouro no território.

De acordo com Instituto o Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), durante os dois primeiros dias de incursões, 51 pessoas foram presas.

Por razões operacionais, o Ibama informou que detalhes sobre efetivo e duração da ação não serão divulgados.

A ação é conduzida de forma integrada por diversas instituições federais e busca devolver a posse da terra ao povo indígena Nambikwara, além de conter os impactos ambientais e sociais causados pela atividade ilegal.

Além do Ibama, a operação reúne instituições como o Ministério dos Povos Indígenas, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério da Defesa, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Advocacia-Geral da União (AGU), a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Força Nacional.

Conforme o Ibama, desintrusão em curso integra esse esforço contínuo do Estado brasileiro, combinando operações de retirada de invasores com ações permanentes de fiscalização, para impedir a reocupação ilegal, proteger a biodiversidade e garantir a integridade do território indígena.

No entanto, desde 2023, ações estruturadas de fiscalização e repressão vêm sendo realizadas na região.

Ao longo desses anos, o Instituto realizou mais de 420 operações, resultando na desativação dos cerca de mil acampamentos ilegais e na apreensão e inutilização de 513 escavadeiras hidráulicas utilizadas na atividade.

“Somente na fase mais recente da operação ‘Xapiri-Sararé’, conduzida pelo Grupo Especializado de Fiscalização Ambiental (GEF) com apoio da Polícia Civil de Goiás, foram apreendidas e inutilizadas 32 escavadeiras e destruídos caminhões, tratores e grandes volumes de combustível utilizados no garimpo”, destacou órgão federal.

No acumulado das ações, o Ibama também apreendeu e destruiu mais de 850 motores geradores, cerca de 150 mil litros de combustível, 85 veículos, além de mercúrio, ouro extraído ilegalmente, equipamentos de comunicação e armas de fogo.

A estratégia adotada tem como foco a descapitalização e a desestruturação logística das atividades ilegais, com resultados já observados no território.

Em 2025, houve redução de 24,2% na área impactada pelo garimpo em relação ao ano anterior, indicando a efetividade das ações de fiscalização e repressão.

“Apesar desses avanços, a região continua sob forte pressão de grupos que atuam de forma ilegal e estruturada, com logística sofisticada e presença armada. A atividade representa um grave problema ambiental, social e de segurança pública, afetando diretamente as comunidades indígenas, que dependem dos recursos naturais para sua subsistência”, informou o Ibama, por meio da assessoria de imprensa.


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