Escolas cívico-militares já chegam a 35,5% do total em Mato Grosso
No Estado, 223 já aderiram ao modelo, que é alvo de críticas de trabalhadores da rede e do Governo Federal
Domingo, 19 de abril de 2026
Em meio a críticas de representantes dos trabalhadores do ensino público, a implantação das escolas cívico-militar avança em Mato Grosso.
Atualmente, 223 (35,5%) de um total de 628 unidades estaduais já aderiram ao novo modelo, que também foi criticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último dia 14 deste mês, ao sancionar o novo Plano Nacional da Educação (PNE).
O atual número, de acordo com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), considera a aprovação de mais 15 unidades estaduais, que passaram por consulta entre os dias 13 e 16 de abril.
Com isso, a quantidade colégios cívico-militares já supera a meta definida pela gestão estadual, que previa 200 unidades até o fim deste ano.
Antes da votação dessa semana, eram 208.
Segundo a Seduc, além das 15 que aprovaram a conversão e que estão localizadas em 15 diferentes municípios mato-grossenses, apenas uma escola estadual optou por não aderir à estrutura cívico-militar.
A rede estadual conta com aproximadamente 311 mil estudantes.
A Seduc garante que a adesão ao modelo cívico-militar não altera o currículo escolar nem interfere na proposta pedagógica das unidades.
Segundo o órgão estadual, a condução pedagógica permanece sob responsabilidade dos diretores, coordenadores e professores da Rede Estadual, em conformidade com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Já as atividades administrativas e de apoio à disciplina passam a contar com a atuação de militares da reserva, responsáveis por ações como organização do ambiente escolar, controle de acesso, promoção de atividades cívicas e reforço de valores como disciplina e hierarquia.
Também garante que a conversão dos modelos de gestão é realizada após votação realizada nas próprias escolas, com participação de servidores, estudantes e familiares, envolvendo um processo de escuta que reúne opiniões e manifestações sobre a proposta de mudança.
No entanto, a conversão das escolas regulares em cívico-militar tem sido alvo constantes de representantes do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), inclusive, em relação à ausência de efetiva participação democrática nas audiências que deliberaram sobre a mudança.
Entre os argumentos é de que o Estado, em vez de enfrentar as questões estruturais da rede pública de ensino tem apostado em um formato que desloca investimentos, desvalorização dos trabalhadores da Educação e substituição da atuação pedagógica especializada por pessoas sem a formação adequada para a função.
"NÃO PRECISA"
O modelo também foi criticado no último dia 14 deste mês pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que sancionou o novo Plano Nacional da Educação (PNE).
Durante a solenidade, Lula disse que o documento mostra que o Brasil não precisa, na educação pública e gratuita, da expansão de escolas cívico-militares.
“Quando uma menina ou um menino resolverem seguir a sua carreira militar, eles vão se preparar militarmente. Mas, enquanto eles quiserem estudar, eles têm que estudar a mesma coisa que estudam 220 milhões de brasileiros sob a orientação do Ministério da Educação deste país”, defendeu.
O PNE traça o planejamento estratégico para a educação brasileira nos próximos dez anos.
No total, o texto tem 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias. Entre as ações, estão ampliar o investimento público em educação, atingindo o equivalente a 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país até o 7º ano de vigência e 10% do PIB até o final do decênio.

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