Amiga do Influencer preso, Janja chama redes de “5º poder” e quer controlar o que você escreve e lê (Fotos)
Com ligações com o influencer preso por participação no crime organizado, Primeira-dama defende regulação das redes sociais
Segunda-feira, 20 de abril de 2026
A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, participou recentemente de um evento internacional na Espanha e classificou as redes sociais como um “quinto poder”. Segundo ela, esse poder seria invisível, difuso e sem controle, capaz de ultrapassar fronteiras, influenciar decisões políticas e moldar opiniões públicas, muitas vezes se colocando acima das instituições tradicionais.
Em sua fala, durante um painel sobre direitos humanos e combate à violência contra mulheres, Janja alertou para os riscos à democracia causados pela falta de regras claras nas plataformas digitais. Ela mencionou a disseminação rápida de desinformação, onde mentiras ganham aparência de verdade, e o aumento de ataques, especialmente contra mulheres e meninas, que ficariam sem consequência.
A primeira-dama defendeu a necessidade de regulamentação para limitar o impacto negativo das big techs, argumentando que as redes sociais teriam hoje mais influência que a imprensa tradicional, o chamado quarto poder.
Embora o discurso apresente preocupações legítimas com desinformação e violência online, a postura de Janja revela uma visão preocupante de controle estatal sobre o debate público. Rotular as redes sociais como um “quinto poder” descontrolado sugere que o governo federal enxerga a liberdade de expressão nas plataformas como uma ameaça que precisa ser contida, em vez de um espaço essencial para o pluralismo democrático.
Essa não é a primeira vez que Janja defende maior intervenção nas redes. Em ocasiões anteriores, ela chegou a elogiar modelos de regulação rigorosos, como o adotado na China, onde o Estado impõe censura pesada e pune usuários que desobedecem às regras oficiais.
Tal admiração por sistemas autoritários de controle digital levanta questionamentos sobre o verdadeiro objetivo por trás das críticas às big techs: proteger cidadãos ou silenciar vozes dissonantes?
No Brasil, o governo Lula tem discutido decretos e medidas para aumentar a transparência e a responsabilização das plataformas, com foco em temas como violência contra a mulher.
No entanto, iniciativas semelhantes no passado, como projetos de lei sobre fake news, geraram acusações de censura seletiva, beneficiando narrativas oficiais enquanto restringem críticas ao poder.
Janja, que utiliza intensamente as mesmas redes sociais para se posicionar publicamente, parece incomodada quando o “quinto poder” amplifica vozes contrárias ao governo. Atribuir à falta de regras os ataques que recebe ignora que a exposição pública de figuras políticas sempre gerou debates acalorados, inclusive com excessos.
A solução não está em entregar mais poder ao Estado para definir o que é verdade ou o que pode ser dito, mas em fortalecer instituições independentes, educação digital e mecanismos de responsabilidade individual.
A primeira-dama viaja pelo mundo participando de fóruns progressistas e defendendo pautas globais, mas suas declarações revelam uma contradição: critica o suposto poder descontrolado das plataformas enquanto o governo busca ferramentas para controlá-las.
Essa abordagem arrisca transformar o ambiente digital em um espaço vigiado, onde o “campo progressista” que ela menciona ditaria os limites da liberdade de expressão.
Em uma democracia madura, o combate à desinformação e ao discurso de ódio deve ocorrer pela via da transparência, da concorrência entre plataformas e do debate aberto, e não por meio de regulamentações que concentrem poder nas mãos do governo.
As falas de Janja em Barcelona expõem uma tendência centralizadora que merece vigilância constante da sociedade brasileira.
Envolvimento com o criminosos dono da página Choquei:
A primeira-dama Janja Lula da Silva costumava interagir com a página Choquei. As interações entre os perfis viralizaram nas redes sociais depois da prisão do influenciador Raphael Sousa Oliveira, responsável pela conta.
Ele foi preso pela Polícia Federal na 4ª feira (15.abr.2026), em Goiânia.
Janja costumava interagir com o famoso perfil de fofoca de julho de 2022 a outubro de 2023. Na rede social X, ela comentava algumas publicações da Choquei, principalmente quando o assunto era o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou temas relacionados a animais de estimação a página divulgava fotos de Paris e Resistência, cachorras de Lula e Janja.
Em fevereiro de 2023, Lula e Janja receberam Raphael, artistas e influenciadores no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), para uma conversa sobre democracia.
O apoio de influenciadores digitais levou Lula a ter mais engajamento nas redes sociais durante a disputa pela Presidência da República em 2022. Em 18 de outubro de 2022, em reunião virtual com comunicadores, Lula pediu que eles divulgassem as propostas do petista e os feitos de suas gestões anteriores. Reportagens indicam que o dono da Choquei chegou a ser convidado para ir ao Palácio do Planalto.
A redação procurou a primeira-dama, por meio da assessoria de imprensa do Planalto, para se manifestar a respeito do assunto. Não houve resposta até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para a manifestação.
DONO DA CHOQUEI
Raphael Sousa Oliveira, 31 anos, é o fundador e proprietário da página Choquei, que tem mais de 27 milhões de seguidores no Instagram e mais de 9,4 milhões no X.
O influenciador foi detido pela PF durante a operação Narco Fluxo, que investiga uma organização criminosa acusada de lavagem de dinheiro e transações ilegais que ultrapassam R$ 1,6 bilhão.
O papel específico de Raphael no esquema ainda não foi detalhado pelas autoridades.
Conforme dados da Receita Federal, Raphael é sócio-administrador de duas empresas ligadas à página de notícias e fofocas, ambas com sede em Goiânia. A 1ª empresa foi fundada em 2019 e a 2ª foi criada 2 anos depois, em 2021.
A Choquei se afirma como “sua fonte de notícias mais rápida”, com informações sobre famosos, bastidores de produções de programas de televisão e do setor de entretenimento, além de temas políticos do momento como o debate sobre o fim da escala 6 X 1. No perfil pessoal do Instagram, onde tem 1,4 milhão de seguidores, Raphael mantém fixados stories de viagens que incluem Peru, Tailândia, Egito, Dubai, Itália, Portugal, Grécia, Qatar e Estados Unidos.
Ataque a quem não pagasse cachês.
Em reportagens deste domingo, uma onda de notícias informaram que o influenciador entrava em contato com famosos para publicar boas notícias sobre eles, e, se eles não aceitassem, ameaçavam atacá-los nas publicações, fato que ocorreu inclusive com a apresentadora Patrícia Poeta, que, de acordo com as informações, o Influencer pediu R$ 50 mil para não atacá-la, e como ela não cedeu, a pagina fez várias publicações de ataques contra a apresentadora.










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