PT quer que STF barre extensão da CPI do INSS
Além do PT, Caciques do Centrão também tentam impedir a continuidade nas investigações.
Sexta-feira, 26 de março de 2026
Lideranças do PT, Caciques do Centrão e a cúpula do Congresso avaliaram que o STF (Supremo Tribunal Federal) precisaria derrubar, na sessão do plenário desta quinta-feira (26), a decisão do ministro André Mendonça de prorrogar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o que veio a acontecer no final do dia.
A avaliação adotada pelos contrários ao andamento das investigações, foi que a extensão do funcionamento do colegiado por mais alguns meses tumultuaria o processo eleitoral ao avançar sobre o caso Master.
No Centrão e no PT o temor era que vazamentos poderiam prejudicar alvos dos integrantes da CPI de acordo com seu interesse eleitoral. A cúpula do Congresso acreditava que se a comissão fosse prorrogada até um período próximo da eleição, haveria contaminação dos trabalhos do colegiado pelas campanhas dos seus membros.
Dessa forma, a decisão de Mendonça foi recebida com contrariedade, como fator que poderia conturbar o processo eleitoral deste ano. O avanço sobre o caso Master e a imprevisibilidade acerca dos materiais recebidos pela CPI, além dos vazamentos de documentos sigilosos que fazem parte da investigação, foi tratada como uma espécie de caixa de Pandora que pode afetar nomes de diversos espectros políticos.
O principal fator de preocupação era o vazamento de conteúdos íntimos e conversas do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso.
A quebra de sigilo de um dos celulares do banqueiro expôs relatos que demonstraram proximidade e conversas com políticos de diversas esferas, e há temor de exposição de material de cunho pessoal que poderia prejudicá-los.
A CPI do INSS foi instaurada em agosto de 2025 para investigar as fraudes em descontos de aposentados e tem prazo de funcionamento até o próximo sábado (28).
O presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), e o relator, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), tentaram prorrogação ao investir no caso Master, mas o requerimento foi ignorado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Dessa forma, o caso foi parar no STF.
Ou seja, a comissão, que até agora fez ofensivas contra o governo e revelou ligações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com figuras da direita, esquerda e do centrão, poderia funcionar até julho, às vésperas da eleição.
Dessa forma, a decisão de Mendonça foi vista como uma afronta à classe política. Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmaram a interlocutores que a prorrogação foi uma intervenção do STF no funcionamento do Legislativo.
Ambos também demonstraram irritação com o vazamento dos materiais obtidos pelo colegiado. O presidente do STF, Edson Fachin, logo convocou a sessão do plenário para avaliar a liminar do ministro.
O material que chegou à CPI do INSS expôs a relação de Vorcaro com figuras de diversos elos e partidos, com ênfase maior no PT e partidos aliados do presidente Lula.
Além disso, foram expostos relatos de conversas com Motta, Alcolumbre, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
No PT, há reclamações públicas. O líder do partido na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que a liminar “configurava intervenção indevida de um Poder sobre o outro, em afronta à separação de Poderes e à autonomia do Legislativo para conduzir matéria interna corporis“. O petista ainda afirmou que “o caso ganha contornos ainda mais graves porque a condução da CPI está contaminada por conflito de interesses”.
A avaliação, nos bastidores, é que o escândalo do Master atingiu mais figuras do centrão e do PT, além de acertar o STF com a exposição dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A leitura, porém, é que a população tende a associar o Supremo e o governo federal, o que prejudica eleitoralmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição.
Na seção do STF nesta quinta-feira, o STF votou contra a prorrogação das investigações, o que é visto como o salvo conduto aos políticos e até mesmo ministros da corte envolvidos no escândalo. Só votaram favoráveis a manutenção das investigações (CPMI) os Ministros André Mendonça e Luiz Fux. Os outros 8, votaram para enterrar a CPMI, satisfazendo o PT e o governo Lula.

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