Empresário da Fictor alvo da PF, mantinha relação com Lulinha e integra "Conselhão do Lula"

Luiz Phillippe Rubini foi um dos alvos de mandado de busca e apreensão, por fraude bancária

 Quinta-feira, 26 de março de 2026 

Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), manteve proximidade com o empresário Luiz Phillippe Rubini, ex-sócio do grupo Fictor. Rubini foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira, 25, que investiga suspeitas de fraudes bancárias associadas ao Comando Vermelho.Análise Candidatos

Segundo informações publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo, Lulinha também teria atuado como consultor do grupo empresarial. A relação entre ele e a Fictor teria sido mais intensa em 2024.

Pessoas que trabalharam para empresas ligadas ao conglomerado afirmaram que o filho do presidente frequentou os escritórios do grupo no ano passado. De acordo com esses relatos, ele teria reduzido as visitas para evitar chamar atenção.

Procurada, a assessoria de imprensa da Fictor informou que eventuais esclarecimentos sobre o tema deveriam ser tratados diretamente com Rubini. A assessoria do empresário declarou que ele não comentará o assunto.

Relação com o governo

Executivos ligados ao grupo afirmam que Lulinha aproximou a Fictor do governo federal.

Segundo essas fontes, o trabalho abriu caminho para a indicação de Rubini ao Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, conhecido como Conselhão, órgão consultivo da Presidência da República.

A Secretaria de Relações Institucionais da Presidência afirmou, porém, que Fábio Lula da Silva não indicou Rubini ao conselho.Análise Candidatos

Ainda segundo relatos, a proximidade também teria facilitado a participação do empresário no Grupo Parlamentar de Relacionamento com o Brics, no Senado.

Defesa nega vínculo profissional

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha em investigações relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social, confirmou que ele conhece Rubini.

O defensor, no entanto, negou que o filho do presidente tenha mantido vínculo profissional com a Fictor ou atuado para que o empresário ocupasse cargos em órgãos públicos. Segundo Carvalho, Lulinha vive na Espanha desde 2024.

Situação da Fictor

Rubini permaneceu como sócio e responsável pela Fictor Invest, braço de investimentos do grupo, até abril de 2025. Ele continuou como conselheiro da empresa até outubro do mesmo ano.

Em novembro, o conglomerado anunciou uma tentativa de aquisição do Banco Master, pouco antes da primeira prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O grupo Fictor entrou em recuperação judicial em 2 de fevereiro deste ano, declarando dívidas superiores a R$ 4,2 bilhões.

Integrante do "Conselhão" de Lula

O empresário Luiz Phillippe Rubini integra o chamado "Conselhão" do governo Lula (PT).

O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), nome oficial do órgão, foi recriado pelo presidente em 2023.

A PF investiga uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias. Segundo a polícia, o prejuízo causado pelo grupo deve superar R$ 500 milhões.

Ex-sócio do Grupo Fictor, Rubini foi nomeado para fazer parte do grupo em agosto de 2025.

Ele é descrito na página da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) como conselheiro por seu destaque "nas áreas de tecnologia, investimentos e agronegócio".

O "Conselhão" é um órgão consultivo da Presidência da República criado para ser ponte entre governo e sociedade civil.

O grupo reúne representantes de diversos setores para assessorar o presidente na tomada de decisões em segmentos como economia, meio ambiente e desenvolvimento social. Os membros participam de forma voluntária, sem o recebimento de salário.

O Grupo Fictor ganhou notoriedade por ter feito uma proposta de aquisição do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, em novembro de 2025, às vésperas de o Banco Central (BC) decretar a liquidação do banco.

Depois disso, em fevereiro, a Fictor entrou com pedido de recuperação judicial.

O mandato de Rubini no "Conselhão" é válido até março de 2027.

A redação procurou o governo federal para comentar o caso, mas não obteve resposta até o momento. A reportagem também tenta conta com a defesa de Rubini. O espaço segue aberto.



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