Indígenas invadem terminal portuário no PA por em protesto contra decreto de Lula
Sábado, 21 de fevereiro de 2026
Indígenas do Baixo Tapajós, no Pará, invadiram na madrugada de hoje o terminal portuário da multinacional Cargill, em Santarém (PA), em protesto contra o Decreto número 12/600, assinado por Lula, que autoriza a privatização e concessão de trechos estratégicos dos rios Tapajós, Tocantins e Madeira.
O que aconteceu
A mobilização foi feita pelo Cita (Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns), que representa 14 povos do Baixo Tapajós, no Pará. Segundo o conselho, a ação da madrugada aconteceu depois de "um mês completo de silêncio institucional e ausência de respostas concretas".
Os indígenas afirmam que a ação ocorreu após um mês de tentativa de diálogo. Associação afirma que ato foi violento, com depredação
"Nossa decisão não foi impulsiva nem violenta", defendem os indígenas. De acordo com o grupo, a ação foi construída a partir da indignação do Decreto número 12/600, assinado por Lula em 28 de agosto do ano passado, que autoriza a privatização e concessão de trechos estratégicos dos rios Tapajós, Tocantins e Madeira. "Estamos aqui porque defendemos o direito de existir".
A invasão também foi motivada pela ordem de desocupação. Uma operação policial foi mobilizada para desmobilizar os indígenas. A ordem tinha prazo de 48 horas (a partir da notificação) para saída da área onde o protesto era realizado. Os indígenas foram notificados por um oficial de justiça às 8h de ontem
Os indígenas afirmam ter tentado se reunir com a presidência, Casa Civil e Ministério dos Transportes sobre os impactos do decreto nos territórios indígenas e nas comunidades tradicionais. "Não houve resposta efetiva", informou o Cita, em nota.
'Depredação e ocupação irregular'
A ABTP (Associação Brasileira dos Terminais Portuários) repudiou, em nota, os atos registrados na madrugada. "Que resultaram na invasão, depredação e ocupação irregular do Terminal Portuário de Santarém (PA), além de ataques ao escritório da Cargill, em São Paulo"
A associação afirmou que as ocorrências envolveram destruição de equipamentos, danos às estruturas operacionais, ameaças a trabalhadores e restrição de liberdade. A ABTP citou que houve risco à integridade física dos envolvidos: "tais práticas são incompatíveis com o exercício legítimo do direito de manifestação e não contribuem para a construção de soluções."
Direcionar ações violentas contra empresa privada sem ingerência sobre a pauta desvirtua o debate democrático, fragiliza a segurança jurídica e coloca em risco empregos, renda e a continuidade de atividades essenciais.
ABTP, em nota
Ainda segundo a associação, a defesa de quaisquer causas deve ocorrer dentro dos limites legais e democráticos. "A violência, a intimidação e a interrupção forçada de atividades produtivas comprometem o ambiente de negócios, a geração de empregos e a confiança institucional, e exigem resposta firme das autoridades competentes."
Anteontem, indígenas usaram quatro barcos para chegar até uma balsa que foi interceptada no porto da Cargill. Alguns dos indígenas subiram na balsa e mostraram faixas exigindo a revogação do decreto assinado por Lula no ano passado
A Cargill informou por meio de nota que sofreu umas ações violentas que atingiram os ativos da empresa desde a noite de ontem. A primeira ocorreu no escritório central da empresa, na capital paulista. Ali, "um grupo de pessoas vandalizou a fachada do edifício. Horas depois, o terminal portuário de Santarém (PA), que há 30 dias tinha sua portaria de caminhões bloqueada por grupos indígenas, foi invadido pelos manifestantes"
A empresa diz que um plano de emergência foi colocado em prática para assegurar a integridade de seus funcionários. A Cargill afirmou que seus colaboradores procuraram abrigo em local fechado até que pudessem ser evacuados de forma segura.
A empresa disse também ter sofrido vandalismo e depredação de equipamentos. Segundo a Cargill, suas operações estão sendo impactadas diretamente desde o início do protesto. Com relação à desocupação, a empresa disse que segue em contato com as autoridades para que as providências sejam tomadas de forma segura
Já o Ministério de Portos e Aeroportos afirmou reconhecer e defender o direito à manifestação. O ministério afirmou que está prestando esclarecimentos sobre os procedimentos em andamento no âmbito para a região, além de buscar a negociação para a liberação da área ocupada em instalações de uma empresa no porto do município.
O ministério solicitou a suspensão do processo de contratação dos serviços de dragagem. O ministério afirmou, ainda, que as comunidades que utilizam o rio Tapajós em seu cotidiano serão devidamente consultadas sobre eventual processo de concessão dos serviços hidroviários, tão logo haja estudos técnicos aprofundados sobre o tema.


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