Comunista ligado a Janja é o falso evangélico que se infiltrou na vigília por Bolsonaro para atacá-lo
Em seu perfil, farsante fixou uma publicação com o símbolo da foice e do martelo com a frase: “Amor ao próximo só é possível com ódio de classe”
Ismael Lopes, falso evangélico, causou tumulto ao se infiltrar em uma vigília convocada para rezar pela saúde e pela liberdade de Jair Bolsonaro em 22 de novembro.
Em um ato de provocação, ele citou uma passagem bíblica sobre quem “cava covas por elas será engolido” e pediu que o ex-presidente seja condenado por ter “aberto 700 mil covas na pandemia”. Em seguida, foi expulso do evento e precisou ser escoltado pela polícia.
Lopes, como se percebe, não é um evangélico tradicional, e sim, um farsante de evangélico para conseguir benefícios políticos. Em suas redes sociais, o carioca se define como “comunista” e “radical de esquerda”.
E o mais revelador: é membro de uma organização que promove eventos para a primeira-dama Janja Silva, já teve um cargo no governo Lula e integra o Conselho de Participação Social da Presidência da República (o chamado “Conselhão”).
“Vim aqui [na vigília] para tentar fazer uma fala baseada na palavra de Deus, para acabar com a instrumentalização da fé que eles [bolsonaristas] fazem”, justificou Lopes, que se apresentou como representante de um movimento evangélico para conseguir o microfone (sabendo, claro, que corria o risco de reações), porém, se fosse o contrário, um direita invadindo evento da esquerda, provavelmente não sairia vivo.
Ismael defende o “Ódio de classe”
Ismael Lopes se mudou do Rio de Janeiro para Brasília há três anos, em função de sua militância. Também conhecido como “Irmão Isma”, ele é membro do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e exibe com orgulho sua ideologia nas redes.
A imagem de capa de seu perfil no Facebook é uma ilustração com os rostos de Marx, Lenin, Stalin e Mao. Lopes também fixou uma publicação com o símbolo da foice e do martelo, acompanhado da frase “Amor ao próximo só é possível com ódio de classe”, totalmente oposto aos ensinamentos religiosos.
Suas conexões com o governo do PT vão além as afinidades ideológicas. Além de participar do “Conselhão”, ele ocupou, entre agosto de 2023 e janeiro de 2024, o cargo comissionado de coordenador no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos.
Lopes aparece em registros de reuniões com figuras do Planalto como Gleisi Hoffmann, Anielle Franco e Márcio Macêdo, mas sua ligação mais forte é mesmo com Janja.
Teologia particular
“Isma” é um dos coordenadores da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, grupo responsável por organizar encontros da primeira-dama com evangélicos em diversos estados, como preparação de terreno para a eleição de 2026.
Na semana do ocorrido, a Frente publicou um post para comemorar a indicação do petista (e batista) Jorge Messias para o STF, chamando-o de “irmão em Cristo”.
Ismael Lopes também transita entre lideranças do PSOL, que assim como o PT, defende o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Já fez campanha para Marcelo Freixo (hoje no PT) e, mais recentemente, demonstrou um apoio fervoroso ao deputado federal Glauber Braga, que agrediu um influencer em Brasília e jejuou acampado na Câmara durante um processo de cassação.
Ismael não apenas virou noites ao lado de Braga como justificou o jejum adotado pelo parlamentar usando uma espécie de teologia particular.
Recorrendo, segundo ele, ao livro bíblico de Isaías, comparou a trajetória do deputado a uma missão divina para garantir os direitos das populações mais pobres. “O jejum que Deus pede é o jejum que o Glauber está fazendo”, afirmou.

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