Arquidiocese de São Paulo proíbe redes sociais do padre politiqueiro Júlio Lancellotti

Lancellotti diz receber a decisão com obediência e afirma que seguirá celebrando missas presencialmente. 

 Terça-feira, 16 de novembro de 2025 

A Arquidiocese de São Paulo determinou a suspensão das transmissões online das missas celebradas na Paróquia São Miguel Arcanjo, na zona leste da capital, conduzidas pelo padre Júlio Lancellotti.

A decisão também estabelece que o sacerdote deixe de publicar conteúdos em suas redes sociais por um período definido como de recolhimento temporário.

A informação foi comunicada pelo próprio padre durante a missa celebrada no último domingo (14).

Na ocasião, ele agradeceu à equipe responsável pelas transmissões e confirmou que as celebrações continuarão a ocorrer normalmente, mas apenas de forma presencial.

O que foi decidido?

Segundo nota divulgada pela paróquia, a medida segue diretrizes estabelecidas pela Arquidiocese.

Além do fim das transmissões das missas, as redes sociais do padre também deixarão de ser atualizadas. As últimas publicações haviam ocorrido cerca de seis dias antes do anúncio.

Em pronunciamento aos fiéis, Lancellotti afirmou que seguirá rezando com a comunidade presencialmente e declarou:

“Enquanto eu estiver por aqui, vamos rezar juntos.”

Ele também disse que recebeu a decisão com “espírito de obediência e resiliência”, reforçando sua vinculação institucional à Arquidiocese de São Paulo.

“Reafirmo minha pertença e obediência à Arquidiocese de São Paulo”, afirmou.

Posição da Arquidiocese

Procurada pela Brasil Paralelo, a Arquidiocese informou que eventuais questões envolvendo o arcebispo e o padre dizem respeito ao âmbito interno da Igreja e são tratadas diretamente entre eles.

O cardeal-arcebispo dom Odilo Scherer afirmou à imprensa que o conteúdo das conversas é reservado.

“O que tratei com padre Júlio é assunto de bispo com seu padre.”

Antes da suspensão, as missas celebradas por Lancellotti no ambiente digital alcançavam números expressivos.

Segundo o próprio padre, algumas transmissões chegaram a registrar cerca de 6 mil espectadores simultâneos, com até 15 mil visualizações ao longo do dia.

Ele explicou que as redes sociais funcionavam também como uma forma de prestação de contas das atividades realizadas junto à população em situação de rua, área à qual dedica seu trabalho pastoral há décadas.

Após a divulgação da decisão, Lancellotti recebeu manifestações de apoio de diversas pessoas públicas, incluindo a deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP), que entrou em contato com o padre. Ele optou por não divulgar outros nomes.

A medida ocorre cerca de um mês depois de o deputado federal Júnio Amaral (PL-MG) ter solicitado ao Vaticano que analisasse a atuação do padre. O material enviado menciona acusações e o uso político da atividade religiosa.

A Arquidiocese, porém, reiterou que o caso tratado com Lancellotti se restringe ao âmbito interno da Igreja.



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