Organizadora da visita de Lula à Favela do Moinho é presa em operação contra o PCC

Segundo o Ministério Público, Alessandra Cunha tinha papel central em esquema de tráfico e extorsão de moradores.


 Segunda-feira, 08 de setembro de 2025 

Alessandra Moja Cunha, conhecida por anos como presidente da Associação da Comunidade do Moinho, foi presa nesta segunda-feira, 8 de Stembro. Ela é suspeita de chefiar atividades criminosas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) na região central de São Paulo.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, com apoio das polícias Militar e Civil, deflagrou a Operação Sharpe. Os agentes identificaram Alessandra como peça-chave de uma estrutura criminosa que envolvia tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e extorsão de moradores.

Segundo os investigadores, ela usava o cargo de liderança para cooptar moradores e manipular manifestações públicas. O seu objetivo era dificultar ações policiais.

Além disso, teria cobrado propinas de famílias interessadas em participar do programa habitacional subsidiado da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano. 

Nesse sentido, ela só autorizava o cadastro depois do pagamento de uma "taxa de liberação".

A acusada é irmã de Leonardo Moja, o "Léo do Moinho", traficante preso em 2024. O criminoso continuava dando ordens de dentro do presídio. O Ministéri Público (MP) afirma que Alessandra enviava informações contábeis dos negócios da família, inclusive do Ferro-Velho Moinho, para o irmão. 

A operação revelou ainda que pelo menos oito imóveis estariam a serviço da organização, incluindo a residência de Alessandra, a de sua filha Yasmin Moja, também presa, e a casa da mãe de Léo.

A Favela do Moinho tornou-se alvo de disputa entre o poder público e o crime organizado desde que o governo Tarcísio de Freitas anunciou, em abril, a remoção gradual dos moradores para implantação de um novo plano de urbanização. 

Dois meses depois, em junho, Alessandra organizou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à comunidade. Na ocasião, o petista prometeu R$ 250 mil em recursos para ajudar na compra de moradias com financiamento público (dinheiro que não dava para comprar duas moradias)

Alessandra também se encontrou com o Ministro Márcio Macêdo, da Secretaria-geral da Presidência, e apareceu em fotos ao lado do deputado Guilherme Boulos (PSOL)

Segundo o MP, a atuação política servia como cortina de fumaça para a verdadeira finalidade de sua presença no território. Seu objetivo era preservar e fortalecer a influência do PCC na Região.

O histórico criminal de Alessandra inclui uma condenação por homicídio qualificado, cometido em 2005. As autoridades prenderam Alessandra em 2018. Depois de progredir de regime e reduzir a pena por trabalho e estudo, ela conquistou a liberdade em regime aberto em 2019.

A operação cumpriu dez mandados de prisão e 21 busca e apreensão. Os agentes prenderam Alessandra, sua filha e o traficante José Carlos da Silva, o "Carlinhos", sucessor direto de Léo no comando do tráfico local. 

Abaixo, foto de Lula muito a vontade na favela comandada pelo PCC.



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