35% culpam Lula pelo tarifaço, enquanto 22% acham que culpa é de Bolsonaro, aponta Datafolha

Pesquisa mostra que 40% consideram que, com a prisão domiciliar de Bolsonaro, Trump irá tomar novas medidas contra o Brasil

 Sábado, 16 de agosto de 2025 

Apesar dos esforços do governo para associar o tarifaço de Donald Trump à atuação da família Bolsonaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é visto como o principal culpado pela sobretaxa aplicada ao Brasil por 35% dos entrevistados na última pesquisa Datafolha.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (22%) e seu filho Eduardo Bolsonaro (17%), que está nos EUA e faz lobby no governo Trump pelo endurecimento das medidas punitivas contra o Brasil, são o segundo e terceiro mais citados como principais responsáveis.

Na pesquisa Datafolha, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes é visto como principal culpado pelo tarifaço por 15% dos entrevistados.

Não sabem responder 7%, enquanto para 3% nenhuma das figuras listadas é responsável. Já 1% diz que todos: Lula, Bolsonaro, Eduardo e Moraes— são culpados.

O Datafolha realizou 2.002 entrevistas em 113 municípios entre os dias 11 e 12 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, num nível de confiança de 95%.

O Brasil entrou na mira de Trump com a imposição de uma sobretaxa de 50% sobre uma gama de produtos e por meio de sanções diretas a autoridades, entre elas o ministro do Supremo e, mais recentemente, técnicos que trabalharam na formulação do programa Mais Médicos.

A lista de queixas do republicano vai de uma suposta "caça às bruxas" contra Bolsonaro no julgamento por tentativa de golpe de Estado, passa pelos esforços de regulamentação das plataformas digitais e alcança um alegado tratamento injusto dado pelo Brasil a exportadores americanos.

Desde que Trump começou sua ofensiva contra o Brasil, Lula e outras autoridades no governo atribuem o tarifaço à ação, junto às autoridades americanas, de Eduardo e à defesa que Bolsonaro faz do republicano.

Ministros e o presidente também trabalham para associar a família Bolsonaro e a oposição aos danos econômicos decorrentes do bloqueio do mercado americano.

Em julho, Lula realizou um discurso no qual tratou Bolsonaro e Eduardo como "traidores da pátria".

"Ele [Bolsonaro] agora tem que ser tratado por nós como os traidores do século 20 e do século 21 da história desse país", disse na ocasião.

Quando Trump incluiu Moraes na Lei Magnitsky, Lula declarou que as sanções contra o magistrado eram motivadas pela "ação de políticos brasileiros que traem nossa pátria e nosso povo em defesa dos próprios interesses" —em outra referência a Bolsonaro e Eduardo.

Por outro lado, a oposição tem colocado o tarifaço na conta do que consideram falhas diplomáticas de Lula que na campanha americana apoiou a adversária de Trump, Kamala Harris e nas decisões de Moraes contra bolsonaristas.

O Datafolha também mostrou que, na hora de apontar o culpado, a resposta sofre forte variação de acordo com o voto dado pelo entrevistado na eleição de 2022.

Entre os que votaram em Lula, o índice dos que veem o petista como principal responsável é de 11%. 

Na direção contrária, 58% dos eleitores de Bolsonaro apontam o dedo para Lula na hora de escolher quem culpar pela sobretaxa.

A pesquisa revela ainda que 40% dos consultados opinam que, após a decretação da prisão domiciliar de Bolsonaro, Trump irá tomar novas medidas que prejudicarão mais ainda a economia brasileira.

Os EUA deram prosseguimento a críticas e a medidas punitivas contra o Brasil após a decretação da prisão. A suspensão dos vistos dos funcionários que atuaram no Mais Médicos, por exemplo, ocorreu na quarta-feira (13).

Dias depois da ordem de detenção domiciliar, o vice-secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, disse que Moraes era responsável por destruir a relação dos EUA com o Brasil.

E, no exemplo mais recente, o próprio Trump afirmou que o Brasil promove uma execução política de Bolsonaro.



Fonte: Pesquisa Datafolha realizada presencialmente com 2.002 pessoas, nos dias 11 e 12 ago.; a margem de erro geral é de 2 p.p., para mais ou para menos

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