Após discussão política, petista mata amigo bolsonarista em SP, diz polícia

Estilista José Roberto Gomes Mendes foi assassinado em Itanhaém (SP)


  Quinta-feira, 06 de outubro de 2022  

Um eleitor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em depoimento à polícia, ter matado o amigo a facadas em legítima defesa dentro da casa onde moravam, na tarde desta terça (4), em Itanhaém, litoral de São Paulo, após uma discussão política.

À Polícia Civil o eletricista Luiz Antonio Ferreira da Silva, 42, disse que o desentendimento começou após a vítima afirmar, enquanto almoçavam, que "todo o petista era ladrão". Em depoimento, ele afirmou ter respondido: "você está comendo a comida que o petista comprou". Depois, disse ter sido atacado com a mesma faca que ele usou para reagir. O suspeito foi preso em flagrante no local.


COMO FOI A BRIGA, SEGUNDO O AUTOR DO CRIME

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL), o estilista José Roberto Gomes (foto) Mendes, 51, levantou da mesa para atirar uma panela e um rádio na sua direção, segundo a versão contada pelo petista em depoimento.

Em seguida, disse à polícia ter retirado uma faca das mãos do bolsonarista e a usado para golpeá-lo enquanto estavam em luta. Segundo o inquérito, havia ao menos oito perfurações visíveis no corpo da vítima: no rosto, costas e pescoço. A Polícia Civil apreendeu a faca e solicitou perícia no local do crime. O corpo da vítima será submetido a exame de corpo de delito.


O QUE DISSE O DELEGADO

Com base no depoimento do petista, o delegado Arilson Brandão, da DIG (Divisão de Investigações Gerais), afirmou ter havido motivação política do crime.

"Devido a uma crítica política da vítima, o [suspeito] se sentiu ofendido. Ambos passaram a discutir e evoluiu para a agressão. Um deles [a vítima] se muniu com uma faca e, na luta com o autor do crime, conseguiu pegar a arma da vítima, e a esfaqueou", disse o delegado em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Rede Globo.

Segundo ele, o autor do crime disse em depoimento estar arrependido. "O indiciado alega que cometeu o crime de cabeça quente", afirmou o delegado.

Levantamento feito pelo UOL Notícias aponta ter ocorrido três assassinatos com possível motivação política e outros oito episódios graves de agressão na semana que antecedeu o primeiro turno das eleições.


POLARIZAÇÃO AGRAVA VIOLÊNCIA POLÍTICA, DIZEM ESPECIALISTAS

O cientista político Paulo Baí, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), atribui esse cenário de escalada de violência política à polarização da disputa entre Lula e Bolsonaro, no segundo turno da eleição presidencial.

"Eleições municipais costumam ser violentas, com histórico de assassinatos em diversas regiões no país. Mas estamos vivendo a eleição presidencial mais tensa e violenta desde 1989. É um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento".

"A violência política se concentrava na política local, com confrontos entre famílias e grupos rivais. Nestas eleições, a violência política ganhou uma roupagem ideológica, se apresentando como uma disputa entre direita e esquerda", disse Mayra Goulart, do Departamento de Ciência Política da UFRJ e coordenadora do Laboratório de Partidos e Política Comparada.


MEDO DE REVELAR VOTO

O cenário de medo pela política foi retratado por um levantamento do Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e da Raps (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), divulgado há três semanas.

Segundo o estudo, 7 em cada 10 pessoas dizem ter medo de ser agredidas em razão das suas escolhas políticas. O instituto ouviu 2.100 pessoas em cerca de 130 municípios entre 3 e 13 de agosto.


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