Defesa de Emanuel Pinheiro diz que alegação de ex-secretário é fala de quem ‘Quer se livrar’

 A defesa do prefeito afastado questiona veracidade da delação do ex-secretário


 Quinta-feira, 21 de outubro de 2021 

O advogado que defende Emanuel Pinheiro (prefeito afastado de Cuiabá), na esfera da ‘Operação Capistrum’, Francisco Faiad, questiona a veracidade da delação do ex-secretário de saúde da Capital, Huark Correia, que entregou um suposto esquema de contratação irregular de servidores para a pasta em 2018.

Os servidores contratados seriam para atender interesses políticos do emedebista, e que, na delação, foi mencionado como ‘canhão político’. Neste sentido, o advogado do prefeito aponta que não há provas além das falas de Huark. “É muito fácil em uma delação, alguém para se livrar de um processo criar fantasias no depoimento para incriminar alguém, onde que está a prova dessa fala do canhão político? Quem fala isso é um secretário que fez uma delação para se livrar de um processo, tudo o que ele fala é verdadeiro ainda que não tenha provas nos autos?”, questionou durante entrevista à Rádio Capital na tarde desta quinta-feira (21/10).

Emanuel Pinheiro segue afastado desde a terça-feira, dia em que a operação foi deflagrada. Na oportunidade o chefe de gabinete, Antônio Monreal Neto, foi preso temporariamente, inclusive com pedido de cumprimento em prisão temporária negado pelo desembargador Marcos Machado na tarde desta quinta, além da secretária adjunta de governo e gestão, Ivone de Souza, que também está afastada do cargo.

Francisco Faiad argumenta que o afastamento do prefeito foi um equívoco judicial. “Primeiro a falta de contemporaneidade, são fatos de 2018, da gestão passada e que não há nenhuma vinculação com a atual gestão, com o atual mandato do prefeito, são mandatos diferentes. Segundo, os fatos citados, não há nenhuma vinculação com a atual gestão do atual prefeito, são mandatos diferentes, os fatos citados dizem respeito a contratação de servidores temporários para a saúde, e a saúde necessita de servidores temporários, por exemplo, a acusação é que foram admitidos 259 novos servidores temporários, mas só naquele ano de 2018 nós tivemos aproximadamente 1,5 mil servidores de carreira que ficaram afastados por motivos diversos motivos, licença saúde, licença maternidade, licença prêmio,  então esses servidores não podem ficar vazios, tem que ocupar com servidores temporários porque são atividades fins da área da saúde”.

Sobre as contratações, o advogado ainda afirma que o responsável por elas era o próprio secretário e não Emanuel Pinheiro. “Outro detalhe que nós estamos demonstrando é que quem fazia a contratação dos servidores temporários era o secretário, não era o prefeito, estamos inclusive juntando documentos com relação a isso, para demonstrar que quem fazia a contratação e quem fazia a inclusão desses servidores em folha, a fiscalização dos trabalhos deles e o pagamento era o secretário e não o prefeito”.


Bilhetes

Também em delação, a ex-secretária Elizeth Araújo, disse que a primeira-dama de Cuiabá, Márcia Pinheiro, e a secretária adjunta de Governo e Assuntos Estratégicos, Ivone de Souza, eram as responsáveis pelas contratações irregulares na secretaria de Saúde da capital.

Elizeth trouxe à tona a existência da irregularidade referente ao pagamento do “Prêmio Saúde”, que era efetuado sem parametrização alguma quanto ao valor e aos cargos que deveriam fazer jus ao referido benefício, cujos valores, que variavam entre setenta e cinco mil e poucos reais – eram determinados livremente pelo Prefeito de Cuiabá e pela primeira-dama, que mandavam, por intermédio de Ivone de Souza, bilhetinhos definindo o valor que o indicado tinha que receber de “Prêmio Saúde”.

A defesa também nega qualquer tipo de envio de bilhetes com encaminhamentos sobre quem seria contratado. “Primeiro que não há nenhum bilhetinho no processo, nem do prefeito e nem da primeira-dama, segundo que não há nenhum bilhetinho para o secretário de saúde contratar esse, ou aquele servidor. Terceiro que não há prova nos autos de que há obrigação de contratação de alguém por determinação do prefeito, então essas delações são totalmente frágeis, incongruentes e não poderiam jamais embasar o afastamento do prefeito.”, conclui.


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