Cientista da Fiocruz diz que atraso de vacinas é "incompetência diplomática do governo Bolsonaro"

Emocionada, cientista critica atraso na chegada de matéria-prima para os imunizantes contra a covid-19


 Quarta-feira, 20 de janeiro de 2021 

A pesquisadora Margareth Dalcomo, da Fiocruz, disse que o atraso no envio de vacinas e insumos, da China e da Índia, significa "a absoluta incompetência diplomática do Brasil". A declaração, em tom emocionado, foi feita pela cientista ao receber o prêmio São Sebastião, oferecido pela Arquidiocese do Rio. "É absolutamente inaceitável que, nesse momento, no Brasil, a gente acabou de receber a notícia de que as vacinas não virão da China, não virão da Índia", disse ela. (Assista ao vídeo, na íntegra, abaixo).

"O que é que pode justificar nesse que o Brasil não tenha as vacinas disponíveis para sua população?! Isso é injustificável. Não há nada que possa justificar, a não ser a absoluta incompetência diplomática do Brasil, que não permite que cada um dos senhores, suas famílias e aqueles que vocês amam estejam amanhã ou nos próximos meses, de acordo com o cronograma apresentado, recebendo a única solução que há para uma doença como a covid-19", acrescentou a pesquisadora.

Iniciada na segunda-feira, a vacinação contra a covid-19 no País pode ser interrompida em pouco tempo por dificuldades na importação de imunizantes prontos e de matéria-prima para a produção. O programa começou com 6 milhões de doses da Coronavac, importadas da China, cujo uso emergencial foi autorizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Outras 2 milhões de doses prontas da vacina Oxford/AstraZeneca, também tiveram o uso aprovado. Produzidas pelo laboratório Serum, da Índia, essas doses ainda não foram enviadas e não há previsão para isso. O governo brasileiro chegou a preparar um avião na semana passada para buscar o imunizante, mas o país asiático negou a liberação imediata. O Instituto Butantan ainda aguarda a chegada do chamado insumo farmacêutico ativo, o princípio ativo da vacina, que também vem da China, para poder fabricar mais doses da CoronaVac. Já a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) também aguarda o envio pela China de insumos para produzir as primeiras doses da vacina Oxford/AstraZeneca no Brasil. No entanto, o atraso na entrega deve adiar de fevereiro para março o início da fabricação.

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