Bolsonaristas, Augusto Nunes e Fiuza estranham caso Bolsonaro e Pazuello

 ‘É ruim ver que isso foi resolvido pela hierarquia militar’, diz Augusto sobre conversa entre Bolsonaro e Pazuello


  Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020  

Fiuza também criticou o mal entendido entre os dois: ‘Não foi trivial o que se passou’

O comentarista Augusto Nunes, do programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, disse que o governo federal precisa “esclarecer” o problema de comunicação ocorrido entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Um dia após a pasta anunciar a compra de 46 milhões de doses da vacina Coronavac, produzida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, Bolsonaro negou que o governo iria adquirir o imunizante. Em um vídeo, publicado em uma rede social, ambos falaram sobre o diagnóstico de Covid-19 e sobre supostas “mágoas” que teriam restado da decisão. “Um manda e outro obedece”, diz o ministro nas imagens. “Precisa esclarecer. Fica ruim ver que foi resolvido pela hierarquia militar, não é assim. É um presidente e o seu ministro, e precisam ter uma sintonia mista. Do jeito que vai ser encerrado será sempre uma história mal contada”, afirmou Augusto.

Augusto criticou, ainda, a declaração de Pazuello de que a Coronavac será a “vacina brasileira”. “Me incomoda esse tipo de nacionalismo barato, a vacina é chinesa, ela vai ser produzida também pelo Butantan, mas [o instituto] não criou a vacina. Isso não diminui em nada a importância da vacina, mas não é brasileira. Não existe a vacina do Brasil, existem várias e vamos ver qual é a mais eficaz”, disse o comentarista. O também comentarista do programa, Guilherme Fiuza, afirmou que o “mal entendido não foi explicado” e que Pazuello “fez questão de fazer uma declaração com obediência hierárquica que o presidente manda, e ele obedece”.

“Diferente da relação com o Mandetta, que começou a fazer ruído com as suas declarações e Bolsonaro logo disse que estavam se bicando, com o Pazuello ele fez questão desse gesto. Mas não foi trivial o que se passou, o ministro foi bastante longe para a compra de vacinas em consórcio com o governo de São Paulo, na contramão total do que o presidente estava defendendo. Para o meu gosto não está explicado ainda, que mal entendido foi esse? De fato o ministro fez questão de fazer uma declaração de obediência hierárquica que o presidente manda e ele obedece, mas esse episódio não está bem explicado”, disse Fiuza. Segundo ele, além dessa, outras diretrizes anunciadas pelo ministro da Saúde também estão em contraste com as do governo, como a projeção de início da vacinação para o primeiro trimestre de 2021. “Está mal parado o caso, esse gesto do presidente com o ministro apazigua, mas temos que saber melhor o que está passando no ministério”, finalizou.


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