LUTO NA TV - Confirmado a morte de Gugu Liberato

Apresentador sofreu um acidente em Orlando, nos Estados Unidos

O apresentador Augusto Liberato (Fábio Guinalz/Fotoarena/Agência O Globo)

Após um longo período de especulações, foi confirmada nesta sexta-feira, 22, a morte do apresentador Gugu Liberato, aos 60 anos de idade. Na quarta-feira, 20, Gugu sofreu um acidente doméstico em sua residência em Orlando, nos Estados Unidos, e foi hospitalizado em estado grave. Segundo sua assessoria de imprensa, ele caiu do forro da residência, de uma altura de quatro metros, e sofreu uma lesão na cabeça, com sangramento intracraniano. Ele teve morte cerebral que foi confirmada pelos médicos aos familiares do apresentador. Gugu deixa três filhos.

Antônio Augusto de Moraes Liberato, conhecido como Gugu pelos brasileiros, nasceu em São Paulo, no dia 10 de abril de 1959. Filho de imigrantes portugueses, um caminhoneiro e uma vendedora de roupas, ele começou a trabalhar aos 12 anos de idade como office-boy de uma imobiliária. Foi coroinha e auxiliar de escritório enquanto sonhava com uma oportunidade na televisão.

“Este é um momento que jamais imaginamos viver. Com profunda tristeza, familiares comunicam o falecimento do pai, irmão, filho, amigo, empresário, jornalista e apresentador Antônio Augusto Moraes Liberato (Gugu Liberato), aos 60 anos, em Orlando, Florida, Estados Unidos. Nosso Gugu sempre viveu de maneira simples e alegre, cercado por seus familiares e extremamente dedicado aos filhos. E assim foi até o final da vida, ocorrida após um acidente caseiro”, afirmou nota de falecimento assinada por familiares e funcionários. Ainda não há informações sobre o traslado do corpo para o Brasil ou sobre velório e enterro.


O começo de tudo

A esperada porta na TV se abriu de modo surpreendente. Aos 14 anos, Liberato escrevia cartas para Silvio Santos sugerindo programas. “Mandei pelos Correios e não obtive respostas. Então, levei a carta em mãos, mas não me deixaram chegar perto”, contou Gugu durante o Domingo Show, da Record, em 2015. Para se aproximar do futuro patrão, ele se inscreveu em uma gincana do Programa Silvio Santos, apresentado, claro, pelo próprio Silvio, na Globo, em 1973. Gugu, então, entregou a carta ao ídolo. Sem outra resposta, voltou ao programa com uma segunda correspondência. Quando a entregou, Silvio o reconheceu e fez a proposta: “Você não quer trabalhar comigo?”. Assim, Liberato conseguiu seu primeiro trabalho na TV, como assistente de produção. Aos 19, chegou ao posto de produtor.

Em dúvida, cursou odontologia, antes de voltar a se dedicar à televisão e se formar em jornalismo pela Cásper Líbero, em São Paulo. Seu primeiro programa diante das câmeras foi em 1981 no antigo Sessão Premiada, do SBT. Em 1982, Silvio criou um programa aos sábados à noite, era o início do Viva a Noite, que deu vazão ao carisma de Gugu.

Gugu Liberato com Silvio Santos, em 1988 (Juvenal Pereira/Dedoc)

Da Globo ao Domingo Legal

Em agosto de 1987, aos 28 anos, no auge de Viva a Noite, Gugu assinou um contrato com a Rede Globo, porém em menos de sete meses – no Carnaval de 1988 – Silvio foi pessoalmente à sala de Roberto Marinho, dono da emissora carioca na época, pedir a liberação do apresentador para retornar ao SBT.

A proposta de Silvio era irrecusável, o salário do apresentador aumentou mais de dez vezes. Não deu tempo nem de estrear o novo programa na Globo. Gugu ficou com grande parte da programação dominical do SBT, em 1988, apresentando as atrações Passa ou Repassa, Cidade contra Cidade e Roletrando.

Sua força na grade explodiu com o popular Domingo Legal, que estreou em 1993 mas se tornou líder de audiência do canal a partir de 1997 (na faixa entre 16h e 20h), competindo diretamente com o Domingão do Faustão, na Rede Globo.

O formato do programa era baseado em apresentações musicais e brincadeiras no palco com artistas. Entre os quadros mais marcantes estavam Táxi do Gugu, a disputa entre artistas Eles x Elas — com provas disputadas entre um grupo de homens e outro de mulheres famosos —, e a polêmica Banheira do Gugu, em que mulheres de biquíni juntamente com homens celebridades entravam numa banheira ensaboada para encontrar objetos sabonetes jogados ali.

Gugu durante gravação do quadro “Táxi do Gugu” (Claudio Rossi/Dedoc)


Carreira de cantor e ator

O sucesso na TV levou Gugu a se arriscar em outras áreas. Participou de diversos filmes dos comediantes Os Trapalhões, como O Casamento dos Trapalhões (1988) e O Noviço Rebelde (1997), além de Xuxa e os Duendes (2001). Sua carreira paralela mais bem-sucedida, porém, foi na música. Tudo por causa de A Dança do Passarinho, que ele lançou em 1984. O hit tem uma história bizarra: Gugu se interessou por ele depois de presenciar um turbilhão de idosos dançando alegremente ao som da canção original em alemão. Ele, então, fez uma versão em português. O sucesso foi tanto que colocou até o apresentador Fausto Silva – então no Perdidos na Noite, da TV Record – para dar uns passinhos na coreografia. Outros sucessos de sua fugaz carreira na música são Pintinho Amarelinho e Docinho.



Empresário

Liberato tinha uma forte veia empreendedora, herança de seu pai. “Ele sempre me dizia que eu jamais passaria fome: bastava comprar um cacho de bananas e vender, pelo dobro do preço, em qualquer farol”, disse o apresentador sobre o ensinamento paterno. Não à toa, ele apostou em áreas diversas para além da vida diante dos holofotes. Fundou a produtora de vídeos GGP, entrou para o ramo alimentício e imobiliário e até investiu em postos de gasolina. Entre suas investidas mais populares, Gugu foi empresário no ramo musical: os grupos Dominó, Banana Split e Polegar, por exemplo, foram lançados pelo apresentador.


“Meu pai sempre me dizia que eu jamais passaria fome: 
bastava comprar um cacho de bananas e vender, 
pelo dobro do preço, em qualquer farol”

Gugu Liberato, sobre a veia empreendedora que herdou do pai



Ida para a Record

Depois de 28 anos no SBT, Gugu Liberato surpreendeu ao anunciar em junho de 2009 que trocaria a emissora de Silvio Santos pela Rede Record. O contrato foi assinado com duração de oito anos e um salário de 3 milhões de reais mensais. Em agosto do mesmo ano, o apresentador estreou na emissora com sua atração dominical, o Programa do Gugu — bateu 16 pontos no Ibope e concorreu diretamente com o Fantástico, mas o sucesso durou pouco e um ano depois a audiência despencou.

Entre altos e baixos e rumores de que o apresentador estaria insatisfeito com os constantes corte de verbas de sua produção, Gugu deixou a emissora em 2013, quatro anos antes do fim de seu contrato. “Muita gente tem me perguntado o porquê. E eu respondo: porque tinha que ser, é simples assim”, disse sobre a saída.

Gugu Liberato, apresentador da Record (Antonio Chahestian/Record TV/Divulgação)

Gugu tirou um período sabático, mas a “aposentadoria” durou apenas dois anos — no início de 2015, a Record anunciou que traria o apresentador de volta com uma nova atração intitulada apenas como Gugu. Inicialmente, o programa contava com entrevistas, games, quadros e desafios. Chegou ao fim em dezembro de 2017.

Gugu renovou o contrato com a emissora e assumiu em 2018 o reality show Power Couple Brasil, tomando o lugar de Roberto Justus à frente do jogo de casais. Em julho deste ano, assumiu outro reality, o programa Canta Comigo — versão brasileira do formato original britânico All Together Now, que coloca anônimos para performar diante de 100 jurados profissionais da música.







Digoreste News, com informações da Veja

Nenhum comentário