Blairo Maggi está em apuros com Polícia Federal e Pocuradoria

Raquel Dodge recomendou que STF não devolva celular a Blairo Maggi


"PF encontrou indícios de que mensagens foram apagadas de aparelho no dia de operação"

Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, recomendou que não sejam devolvidos os celulares do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, da mulher dele, Terezinha Maggi. Os aparelhos foram apreendidos na Operação Melebolge, em setembro do ano passado, na residência do casal. A Polícia Federal (PF) encontrou indícios de que mensagens de WhatsApp foram apagadas dos dois aparelhos de telefone no mesmo dia da operação.

“Em relação aos aparelhos de telefone celular arrecadados em um dos endereços residenciais de Blairo Borges Maggi e Terezinha de Souza Maggi, o Setor Técnico-Científico da Superintendência Regional de Polícia Federal no Estado de Mato Grosso apontou que foram encontrados registros de diversas marcações de deleção de mensagens transmitidas por meio do aplicativo de comunicação instantânea WhatsApp, algumas delas com data igual à da deflagração da assim conhecida Operação Malebolge (14 de setembro de 2017)”, diz o parecer de Dodge, datado de 16 de julho.

“Em razão dessa grave constatação pericial, assiste razão à autoridade policial, ao recomendar tão somente a disponibilização de cópia dos conteúdos extraídos dos aparelhos de telefone móvel apreendidos aos peticionários, até a elucidação das circunstâncias em que ocorreram tais eventos”, escreveu a procuradora. Ela acrescentou que “a manutenção da apreensão dos aparelhos de telefone celular ainda é necessária ao esclarecimento dos fatos delituosos supervenientes, para que sejam promovidas as responsabilizações devidas pela remoção de potenciais elementos de prova dos crimes inicialmente investigados”.


Dodge acrescentou que concorda à disponibilização da cópia dos conteúdos dos celulares ao casal, “até o esclarecimento das circunstâncias em que ocorreram as deleções de mensagens dos dispositivos após a deflagração da operação”, desde que a medida não cause prejuízo à investigação criminal. Em sua defesa, Blairo Maggi nega que tenha apagado mensagens de seu aparelho. A decisão sobre o pedido caberá ao relator das investigações, ministro Luiz Fux.

Maggi foi citado na delação de Silval Barbosa (PMDB). Ambos foram governadores de Mato Grosso. Em depoimento, Silval disse que os deputados estaduais recebiam um “mensalinho” para votar projetos de interesse do Executivo. Segundo ele, o esquema existiu durante o mandato de vários governadores: Dante de Oliveira (já falecido), Blairo Maggi e o próprio Silval.

De acordo com o relatório da PF, elaborado em dezembro do ano passado,

o celular continuou recebendo mensagens no decorrer do dia da operação, 14 de setembro. O texto ressalta que a perícia recuperou um grupo, que havia sido deletado, cuja última mensagem foi recebida às 19h39 do dia 14. O conteúdo das mensagens não foi recuperado.


Como o aparelho foi apreendido na parte da manhã, o relatório afirma que “não se vislumbra possibilidade de a conversa do grupo ter sido excluída antes de o celular ter sido apreendido”, e levanta a suspeita de que “o aparelho tenha sido acessado remotamente e deletado as mensagens após às 9h36m”. A PF ressaltou que “se faz necessário um exame pericial mais especifico para afirmar que isso de fato tenha ocorrido”.

Na época em que o relatório foi divulgado, Blairo negou, ao GLOBO, que tenha apagado mensagens do celular remotamente.

— Não tem como alguém acessar remotamente um grupo de Whatsapp e apagar, essa hipótese é zero. Da minha parte não houve interferência. Eles têm o direito de fazer nova perícia, é o processo legal. Eu estou à disposição — disse.

O relatório da Polícia Federal também destaca que não foram localizadas conversas particulares no WhatsApp, apenas grupos e listas de transmissão — quando mensagens são enviadas para diversos usuários de uma só vez. “Nem mesmo conversas com familiares foram encontradas”, diz o texto.

Outras duas suspeitas foram levantadas pela PF. A primeira é que o aplicativo Telegram tenha sido deletado do aparelho, já que ele não foi encontrado, mas mensagens indicam que ele havia sido instalado. Os investigadores também afirmaram que “causa estranheza” o fato de outro aparelho, o celular funcional do ministro, ter poucos arquivos “seja de mídia, seja de registro de chamadas, seja de conversas”. Nos dois casos, o relatório afirma que é necessário realizar uma análise pericial para saber se arquivos foram excluídos e se é possível recuperá-los.


As informações são do Agora Notícia Brasil e do Jornal O Globo

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