Reeditando 98, DEM quer Julio Campos e Bezerra juntos

A fim de eleger Mauro Mendes a qualquer custo, DEM corre atrás do MDB para reeditar 98  


O presidente estadual do DEM, deputado federal Fábio Garcia, e o cacique do MDB, deputado federal Carlos Bezerra,  se encontraram no final de semana a pedido do DEM para discutirem uma possível formação de aliança entre as legendas em 2018. .

A investida do DEM junto ao MDB de Bezerra e Riva, visa aumentar seu arco de aliança com o partido que que tem o segundo maior tempo de televisão na campanha eleitoral, tempo que Mauro Mendes precisará para conseguir se sobrepor ao governador Pedro Taques (PSDB), que tem o poder sobre a máquina pública e tentará a reeleição.

Porém, conforme Garcia, ainda não houve definição sobre coligação. “Foi uma conversa ainda muito preliminar. Houve sim essa reunião, só acrescentando o que a gente pensa pro Estado de Mato Grosso pro MDB. Não teve nenhuma definição, então a gente vai continuar dialogando com todos aqueles que acreditam que a gente pode oferecer uma boa alternativa pra Mato Grosso”, afirmou.

Fábio Garcia lembra que na chapa está aberta uma vaga para o Senado, já que o ex-senador e ex-governador Jayme Campos (DEM) já está com o nome confirmado como pré-candidato. “Tem três vagas e só tem duas vagas na coligação pra Senado. Pode até ter candidatura avulsa, mas não é o que a gente pensa. É com diálogo que a gente vai construir uma solução pra essa questão”, defende.

O DEM e o MDB de Mato Grosso tem uma história que não traz boas recordações. Em 1998, o ex-governador Julio Campos (DEM) tinha em seu favor números próximos a 60% na preferência dos eleitores, enquanto o então governador Dante de Oliveira (PSDB) que tentava a reeleição, era preferido por menos de 15%, e vinha de uma rejeição superior a 50%. Tudo isso mudou a partir do momento em que os velhos inimigos DEM (na época PFL), e o MDB, (ainda PMDB), dos caciques Julio Campos e Carlos Bezerra, decidiram se unir para aumentarem tempo de TV e militância, e definitivamente saírem vitoriosos no confronto com Dante, lançando Julio ao governo e Bezerra ao Senado. Porém o tiro saiu pela culatra, a rejeição de Dante diminuiu, a de Julio explodiu e Dante foi reconduzido para mais 4 anos no comando do estado, em elições definidas no primeiro turno, levando com ele Antero Paes de Barros para o senado, o que fez com que além de Julio Campos, Bezerra também amargasse derrota.

20 anos se passaram, e ao se confirmar o matrimonio entre as siglas, viveremos um quase "Vale a Pena Ver de Novo", quando Julio permanece no DEM e Bezerra no MDB, o confronto volta a ser contra quem está no comando do paiaguás, (dessa vez Pedro Taques), e pra aumentar a coincidência, o atual governador, assim como Dante, também pertence ao PSDB. 

Atualmente, o MDB conta em seus quadros com o Deputado Federal Valtenir Pereira, inimigo declarado de Mauro Mendes, possível candidato pelo DEM ao governo do estado, sem contar com o passado recente desastroso  da agremiação comandada por Carlos Bezerra, que teve o ex-governador Silval Barbosa preso após escândalos de corrupção, declarada pelo próprio político à Justiça Federal, com desvio superior a "Um Bilhão de Reais". Outro nome que traz lembranças, é o da deputada Janaína Riva, filha de José Riva, preso, considerado o homem com o maior número de processos do país.

Bom lembrar que, com a união entre os dois partidos, haveria também o reencontro de Mauro Mendes com o grupo de Silval, que ao lado de Éder Moraes (que também foi preso por corrupção) coordenaram a campanha de Mauro à Prefeitura de Cuiabá em 2008, quando foram derrotados por Wilson Santos (PSDB). O reencontro é apenas político, visto que nos negócios, em sua delação premiada firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-governador Silval Barbosa afirmou ter mantido uma sociedade com o ex-prefeito Mauro Mendes em uma área de garimpo de R$ 20 milhões de reais e um avião de quase R$ 5 milhões de reais, entre os anos de 2012 e 2013, sociedade estabelecida quando Silval era Governador e Mauro Mendes era Prefeito da Capital de MT.

Em contra partida, o MDB tem a oferecer para o palanque de Mauro Mendes, a potencial aprovação de quase 5% do Presidente Michel Temer.

Independente de fecharem acordo ou não, o DEM corre e continua correndo atrás do MDB, conforme declaração de Fabio Garcia, registro que não se apaga..